vencedores

há um trecho que quero dedicar ao Silvano, que este ano foi campeão europeu, e a todos os outros antes, o Centeno, Pinheiro, Ochôa, Faria.. já são tantos e tão bons os bodyboarders portugueses que andaram por este mundo, sem patrocínios, perspectivas, dinheiro, retorno ou futuro que lhes valesse. Como ser vencedor ou vencido se mistura tanto por vezes.. Andam nos campeonatos apenas por eles próprios. A lutar simplesmente. Resistindo à desolação tempo suficiente para conseguirem o que desejavam.

"Pode significar zombaria, isolamento.
O isolamento é o presente. O resto é um teste de resistência.
Do quanto realmente quer fazer.
E fará, apesar da rejeição.
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.
Se for tentar,vá até o fim.
Não há outro sentimento como esse. Ficará sozinho com os deuses.
E as noites serão quentes.
Você guiará a vida com um riso perfeito.
É a única luta boa que existe." Charles Bukowski

exibicionismo

Muita gente -demasiado gente- preocupa-se bastante sobre como o desporto aparece aos olhos dos outros. Mais do que realmente have fun, o que perturba essas pessoas é que os outros saibam que estamos a divertir-nos. Esta obsessão compulsiva com a imagem, que tanto caracteriza os nossos tempos chega a atingir limites por demais ridículos, com prejuízo para o proprio visado. É conhecido o célebre argumento de que "mostrei um filme a um amigo e ele ficou louco com o bodyboard". Seria mais simples e verdadeiro levar alguém para dentro de àgua, ou pelo menos tentar descrever a sensação. No mínino seria enriquecedor. É um pouco como o sexo, tenho a certeza que o melhor não se passa nos filmes, e tentar descreve-lo por aí seria um mau exercício.
Esta ideia de que o grau de satisfação deve ser proporcional à pessoa que pratica o desporto como ao que o vê, não olha para o sorriso dos miudos que fazem as primeiras carreirinhas.

god bless the booguies

Fruto da colaboração com vários artistas plasticos, todos eles -penso- bodyboarders, a vertmag tem vindo a oferecer-nos trabalhos gráficos belíssimos todas as edições e que fazem a delícia de quem como eu aprecia o género.
Como dizia o Alexandre Soares Silva "só sei escrever sobre coisas das quais não gosto, enchendo páginas e páginas sem dificuldade nenhuma sobre blogs ruins ou pessoas de rosto estúpido e whatnot, ao passo que quando gosto de alguma coisa fico mudo", é um sindrome que me afecta particularmente. Por vezes digo consigo dizer algo meio bobo e compro os meus remorsos de não elogiar mais o que realmente gosto, a beleza das coisas.
Mas no geral emudeço.
E haveria tanto para dizer.
Parabéns a equipa do ondas que faz 4 anos, dos tipos mais competentes a pôr em palavras aquilo que amam. É todo o sucesso que gostaria de ter.

the champ

Mais um ano competitivo a chegar ao fim, carimbam-se os títulos e cunham-se os campeões. É o corolar esperado de um percurso cheio de suor, luta, sacrificio, e nem sempre justo por ser definitivo. É o nome do campeão que fica para a história no fim, e nem uma palavra sobre aqueles com quem disputou, sobre aqueles que o fizeram superar-se. É também essa a beleza das coisas, por ser explicitamente imperfeita, e às quais regras todos se sujeitam voluntariamente. Por ser uma prova de resistência e motivação, só um guerreiro está apto a chegar ao ceptro de campeão nacional. O nosso desporto tem muitos, e não só na competição como noutras áreas do bodyboard. Sinal de sermos uma potência do bodyboard, a disputa é sempre acirradíssima.
Este ano temos um bi-campeão. Manuel Centeno.
Muito se tem dito acerca da relação do Português com o mar, a sua intimidade com o oceano e vertente marítima do pais, literalmente debruçado sobre o atlântico. No entanto existem certas ambiguidades que não se coadunam propriamente com esta imagem definida do Português quase marinheiro. Uma delas e talvez a mais significativa foram as estratégias de povoamento ao longo dos tempos. Com excepção da meia duzia dos grandes centros portuários, sempre ladeados pelos grandes rios (as verdadeiras auto-estradas da história) até ao sec XX o litoral português foi praticamente desabitado. A terra era mãe, o mar padrasto. A relação foi sempre curiosa, em especial acima do cabo carvoeiro, onde não existem braços de terra que protejam, que façam o oceano se pareça mais com um lago interior. O movimento e imprevisibilidade do atlântico, aliados ao nosso clima austero, frio e húmido á beira mar, fizeram com que o português sempre vivesse (o seu dia a dia mundano) de costas para o mar. Ainda hoje pontuam mais as vivendas em cima das dunas do que corredores de caminhada, ou estruturas para os banhistas (e bodyboarders). Oficialmente não existe desporto no mar. Cacifos, balnearios, sitios para vestir, etc, são uma miragem em Portugal. O oceano sempre foi de uma beleza fascinante, mas tal como ontem, ainda hoje a maioria das pessoas olha a costa como um local de contemplação, não de fruicção.

agora sem mãos

Deu que falar a última sessão de tow out organizada por Hugo Pinheiro em Peniche. Primeiro porque o tow confere asas aos mortais e depois porque os resultados foram francamente espectaculares e de fácil comparação com o melhor que vem de fora. O grande momento ficou no entanto a cargo de batata, que pelo que sei nem é grande assíduo destas lides, mas ainda teve a ousadia de fazer um invertido só com uma mão! Penso que até será inédito a nível mundial, mas só cunha um atleta que pelo seu bodyboard, é(sem nacionalismos), também um dos melhores do mundo.

passado sem sombras

Lá por fora o ritmo de lançamento de filmes é impressionante, e não há mês que não passe sem a saída de dois ou três filmes. Um australiano confidenciou-me que quase ninguém copia filmes na terra natal e que é possível ganhar dinheiro com eles. Ao demais o mercado lá é do tamanho da Europa suponhamos (a costa é). Por aqui passam gerações como véus, umas atrás das outras, talento bruto indocumentado. Não temos passado. Ninguém de agora saberá o que era ver no seu prime gajos como o Filipe Ochôa, João Oliveira, Hugo Carvalho, Tiago Martins, Ricardo Costa, Nuno Leão, Frederico Leal, e tantos outros.

3 boas razões para pegar num bodyboard e sorrir



"someone commented: only a crazed boogy boarder would ride this"

magno

A ultima noticia do mercado é o facto do bodyboarder brasileiro Magno Oliveira ter sido contratado pela science. Isto não seria noticia nenhuma dado o curriculo de Magno, não fosse ele andar até ao momento sem patrocinio, e ser (para além de GT) o único brasileiro numa equipa de bodyboards internacional. Alguém duvida que se algum australiano, ou Estado-unidense estivesse como Magno, na luta pelo título mundial, já tinha patrocinio há imenso tempo? Isto chama-se discriminação certo? Sinais dos tempos, em que face á falta de recursos as escolhas são as que mais ilustram quem as faz.

teahupoo


"Na última quinta-feira (1/11), um swell monstro com tamanho estimado
em 20 pés, um dos maiores da história, quebrou sem dó na bancada rasa
de Teahupoo." - waves

O crowd pelos vistos também estava assustador, com mais de 10 motas de àgua esperando pelos (raros) sets maiores e dropinanços à mistura. Tal como em Jaws a tendência é para piorar. Os limites parecem estar a desvanecer-se com a ajuda das maquinas e é estranha a sensação de orfandade que resta. No fundo matar os limites é acabar com algo respeitoso, paternal. A ordem subverte-se.

O único body presente, estava a remar, a sobreviver aos sets e a desviar-se do tráfego. Ainda apanhou umas bombas assim. Estava provavelmente a sentir mais adrenalina que todos os outros.

Fica a dúvida, sem os jets, quantas pessoas estariam no pico?

fotografia

João Melo é um dos novos fotografos de bodyboard em Portugal e a afirmar-se muito rapidamente. Além disso é boa gente. Agora tem uma exposição permanente e actualizada para nosso prazer. Aqui fica o link.

virtudes

Para os mais distraídos lembro que nesta semana passou aqui pelas costas portuguesas o Australiano Sean Virtue. Conhecido por ser um dos melhores bodyboarders no mundo, melhor rookie em pipe, campeão australiano, vencedor do supertour em cloud9, vice-campeão mundial e uma das figuras chave de cyclops.
E mais recentemente por ter andado dentro daquele que é o maior tubo de sempre documentado na Australia. Em conversa informal Sean contou-nos dos 5 anos que a onda demorou a encontrar, das viagens intermináveis de carro, do dinheiro que os bra boys ofereceram para lhes contarem onde era.
Falou também da sua profissão actual, numa plataforma petrolífera, o que lhe permite trabalhar 3 semanas e ter outras 3 (e dinheiro) para fazer o que mais gosta, procurar ondas e quebrar limites. Desistiu da competição para ter um emprego, mas a sua vida continua a rodar em torno do bodyboard como sempre. Aos 26 anos Virtue representa como ninguém o bodyboard "pro". Sempre a divertir-se, descontraído e a amar o mar pelas razões correctas.
Há coisas que o dinheiro não compra.

O regresso a normalidade


Pelo andar das coisas vou andar a citar mais o blogue ondas que outra coisa qualquer. No ultimo post, mais um a gozar com o bodyboard sempre no good spirit e desportivismo que caracterizam isto das brincadeiras entre desportos. Desta vez sem qualquer polémicas, inultos ou comentarios etratosféricos. O assunto é consensual.

Fala-se em rastejar, de involução. Um comentador mais profundo pergunta se estar lesionado nao seria uma boa razao para experimentar umas ondas em bodyboard, se esta fosse a unica opção para andar nas ondas. Note-se lesionado.
Os defensores do politicamente correcto e da conciliação, na sua maioria bodyboarders, calaram-se e observam o desenrolar das coisas ausentes.
Neste festival grotesco de onanismo repira-se tranquilidade. Tudo voltou ao normal.