Centeno e Pinheiro em Arica

Fiquei contente de saber que o Manuel Centeno irá competir no Chile para a etapa do mundial. Sempre achei que ele, e o Hugo Pinheiro eram as nossas melhores hipoteses do circuito mundial. Há gente que julga que eles não serão os melhores para esse tipo de campeonato por serem competidores natos. Como se houvesse campeonatos de free surf. A própria frase é um paradoxo. Quem entra num campeonato, seja de ondas boas ou mediocres é competidor. Quem só entra em campeonatos de ondas perfeitas é no maximo um competidor exigente, um competidor picuinhas, ou um competidor inteligente que sabe que anda melhor em ondas perfeitas. Não há é, competidores de free surf. Isso foi invenção dos anos 90, quando alguns bodyboarders famosos se cansaram de campeonatos em praias sofríveis. Gritaram morte á competição. Depois os australianos fizeram o resto. Mas a competição, não acabou. O ser humano é competitivo por natureza. Gosta de ver um bom duelo, gosta do esforço e da conquista. E o Manel & Pinheiro são das pessoas mais dedicadas que temos à competição. Profissionais puros e duros. Se eles meterem na cabeça que é em ondas como El gringo em Arica que tem de se dar bem, então eles vão trabalhar mais do que outro para o assunto. Só espero que os seus patrocinadores percebam que a melhor publicidade está nesses campeonatos, e lhes paguem para os meterem na cabeça, sonharem com eles, delirar com o pódio. Podia já ter sido neste último sharkisland, estupidamente marcado em cima do eurosurf. Gostava também de ter o Faustino e o Porkito lá. Mas isso já era outra história. Não era por competição. Era para Chileno ver...

musicas que gostava de ver num filme de body II

musicas que gostava de ver num filme de body I

Mais notícias do soul surfing

Mais uma vez o desporto com mais "feeling" do mundo como gostam de se intitular, o surfe, voltou a ser notícia pelas suas mais intrínsecas qualidades. Toda a gente conhece o caso de cape fear, uma onda na costa este australiana descoberta por bodyboarders, e que foi ocupada à força por um bando de delinquentes, o que lhes rendeu bons patrocinios e até um filme à hollywood onde narravam as suas peripécias. A título de curiosidade, mudaram o nome da onda, que agora se chama ours, ou em português troglodita corrente "é nossa". O ultimo episódio do "gangsta surf", esta modalidade reconhecida pelos pares e com direito a estatuto de superstar foi o esmurramento de Mitch Rawlins, por fazer bodyboard no pico enquanto este estava deserto, "mas sem autorização". De referir que estes individuos se fazem sempre acompanhar dos seus potentes jetskis, sem os quais nao conseguiriam dropar as ondas no pico.
Agora foi em luna park, outra onda desbravada por bodyboarders que o jardim infantil voltou á carga. Como relatado na última movement mag, estavam Ben, Toby Player, e outra mão de bodyboarders a usufruir da onda quando chegaram ao pico alguns jet skis de surfistas locais numa cena típica daqueles bandos de motoqueiros dos estados unidos, daqueles que roubam velhinhas, violam as mulheres e não poupam os animais. Depois de espalharem agua por todo lado para fazerem valer o seu ponto de vista e quase terem provocado uma tragédia com uma das cordas amarradas ao jet, desmobilizaram depois do pico estar vazio. Não temos notícia sobre se já há propostas de filme ou contratos de patrocinio.

algo vai bem na competição em Portugal

Ganhou o Kiko Saraiva!

sharkisland contest

Alguém nota alguma coisa de especial nesta foto tirada no último sharkisland? O gajo é o Dave Hubbard, e a grande curiosidade é a pega oldschool que ele está a usar no nose. Será que resulta? Pode ser considerado batotisse? Ou é apenas um "super embosso" ? Alguém tem curiosidade de experimentar disto na Cave ou no trol? (para ver a pega em acção checka esta sequência)
Fotos: Greg Mccarthy

A mesma àgua

A mesma agua - uma onda diferente.
O que importa é que é uma onda.
O que importa é que a onda voltará.
O que importa é que ela sempre voltará diferente.
E o que mais importa: por mais diferente que seja a onda que volta,
ela regressa sempre como uma onda do mar.

Marina Tsvetaeva
(trad. Hugo Marinho)

bodyboardshops em Portugal


Fosse este um guia das lojas de surf e este mapa ficaria vermelho. Corrijam-me se estou errado mas apenas encontrei 4 bodyboardshops, as únicas lojas em que é obrigatório ter produtos de bodyboard para os bodyboarders( e não deveria ser sempre assim?). Para quem não sabe é neste terreno pantanoso e negligenciado, (e não nas ondas, manobras ou imagem) que o nosso desporto leva sempre as maiores rasteiras.

Admirável mundo novo

Como seria de prever o título mundial de Jeff Hubbard confundiu muito boa gente, que já tinham a taça por entregue ante factum a Ryan Hardy. Estavam habituados a considerar Jeff como um dos melhores e a apreciar o seu bodyboard, mas apenas como acompanhamento, uma especiaria que dava mais côr e sabor ás coisas. Quando foram obrigados a come-lo como prato principal a indigestão começou, e com ela o abuso. Os indícios estavam já ha algum tempo visíveis, quando o interrogavam sobre o material que usava e se não ponderava o seu estilo de bodyboard. Bolas, o rapaz é capaz de ser dos melhores exemplos de bodyboarder que temos para apresentar ao mundo. Tentar encontrar defeitos no bodyboarder mais radical do planeta e um dos que mais tem puxado os limites desta prancha ao centímetro foi um facto quase surreal mas que foi estranhamente assimilado com naturalidade.
Mas depois de ser coroado campeão do mundo as coisas tomaram novas proporções com uma campanha para deslegitimar o seu titulo. A "opinião publica" e os interesses instalados trataram de se pronunciar e da forma mais vulgar que pode existir. O seu efeito pernicioso é , e já o disse neste local, de criar lugares comuns, aos quais as pessoas recorrem sem sequer pensar. Afinal quem tem medo de Jeff Hubbard? Foi bem comentada a rivalidade competitiva entre havaianos e aussies neste inverno no Hawai, mas a questão principal prende-se - como sempre - na diferença. Numa revista Australiana numa reportagem sobre Jeff , o bodyboarder Jose Marquina referia que se Hubb usasse material diferente ganharia o peer pool. A polémica que se gerou em torno desta declaração so vem dar força ao argumento de que realmente o estilo de Jeff é primariamente conotado com o material. Ele é o miúdo das pranchas estranhas, largas e coloridas e dos pés de pato compridos. Totalmente fora de moda.
A hipnoterapia como diria Huxley n'o admirável mundo novo, que é de certa forma o nosso mundo, é como uma frase, que repetida um nr de vezes suficiente transforma-se numa evidência. Um voo descomunal de Jeff é para algumas pessoas a evidencia do seu mau estilo. No meu tempo deixar a praia de boca aberta e voar acima de todos era fazer as coisas com estilo, mas nos tempos que correm isso é tudo muito mais complicado. Este ano e para fazer gestão de danos a sua imagem, numa operação de charme Jeff tratou de viajar para a Austrália e fazer lá uma grande viagem para recolha de imagens. Naquele que é também o maior mercado e tem os média mais poderosos. O seu patrocinador de pranchas também decidiu deslocar-se para a fabrica "do costume".
Gonçalo M. Tavares dizia que um organismo por definição não tem tamanho mas fome, ora também as pessoas por vezes são a medida das suas ambições e luta. E Jeff teve nestes últimos anos mais fome que todos os seus conterrâneos, teve a fome deles todos. Nos EUA e provavelmente no mundo ninguém trabalhou ou teve o profissionalismo que ele demonstrou. Fosse reportagens, campeonatos ou apenas treinos ele esteve sempre lá. Mas neste inicio do ano competitivo os palpites coincidem quase sempre com o lançamento dos filmes e o protagonismo dos seus actores do costume. Eu, por mim prefiro esperar para ver.
Façam as suas apostas meus senhores, o ano vai começar.

Publicado na Vertmag n.º 79