bodyboard nos media

As ressonâncias que um evento como o nazaré special edition pode ter são impressionantes. É caso para dizer que o bater da pata de um mastodonte na praia norte pode provocar brisas sem fim por todo o mundo. É em última instância uma bela prova do dinamismo e capacidade dos portugueses. Digam-me por favor que este ano também vamos ter o special.
via arcadia

sic challenge


"the greatest show on surf", como terry Mckenna o descreveu, o shark island challenge, já começou. Bem, na realidade apenas os trials que darão acesso a um dos eventos mais antecipados, na onda mais pesada, imprevisível e mutante de todo o circuíto mundial. Estão lá a representar Portugal e directo no main event o Hugo Pinheiro e o Gastão entrudo que vão tentar trazer para casa pela primeira vez um bom resultado português neste campeonato.

Também tenho o meu palpite de treinador de bancada mas mesmo assim estou convicto que os treinos na cave servirão para alguma coisa. Não bem convicto, mas esperançoso. Nem isso, apenas farto de sermos escovados no maior palco dos últimos anos. Veleidades de adepto.

Espero que eles sintam o mesmo. Este é um enguiço pessoal pra o boogie lusitano naquela que é provavelmente a onda mais técnica para competir no tour. É difícil mas não é impossível.

sociedade do espectáculo

Novamente o gangue (como eles próprios gostam de se afirmar) mais conhecido do mundo das ondas volta à ribalta, aquele sítio onde os superegos e interesses comerciais se juntam no mais apaixonado matrimónio.

Segundo o site SMH a universal pictures já comprou os direitos para um filme de dimensões "hollywoodescas" da vil e indesperdiçável história dos bra boys que como toda a gente sabe incluí muita violência, tráfico e até um homicidio. Como role models de excelência que personificam se formos a atentar à quantidade de patrocínios e exposição que auferem, não poderia mesmo faltar ao grande ecrã este maravilhoso roteiro. Num mundo conduzido pela sede de consumo e alinenação não é de estranhar muito que o sensacionalismo e o espectáculo decadente sejam o produto mais procurado para alimentar os olhos e mentes do rebanho.

Se antigamente ter problemas com a lei significava apenas problemas e contratempos hoje em dia vem acompanhado de um papel no cinema. É o sindrome da sociedade do espectáculo. A rectidão raramente dá boas histórias, e o altruísmo mesmo que raro, não faz manchete. Se pensaram que era preciso trabalho para almejar reconhecimento desenganem-se, basta pregar uns sopapos a alguém. Em bom português de quadradinhos, os herois agora são os vilões.

verdades inquestionáveis 1: o bodyboard é um desporto recente.

Em 1778 o tenente james king presencia pela pela primeira vez um grupo de nativos no havai a apanharem ondas deitados em pranchas de madeira e regista-o no seu diário. Esta é o primeira testemunho que existe de alguém andar numa onda por diversão:

But a diversion the most common is upon the Water, where there is a very great Sea, and surf breaking on the Shore. The Men sometimes 20 or 30 go without the Swell of the Surf, & lay themselves flat upon an oval piece of plan about their Size and breadth, they keep their legs close on top of it, & their Arms are us'd to guide the plank, thye wait the time of the greatest Swell that sets on Shore, & altogether push forward with their Arms to keep on its top, it sends them in with a most astonishing Velocity, & the great art is to guide the plan so as always to keep it in a proper direction on the top of the Swell, & as it alters its direct. If the Swell drives him close to the rocks before he is overtaken by its break, he is much prais'd.

Passados 230 anos a maioria dos bodyboarders não associa este facto à historia do seu próprio desporto. Parcialmente porque já foi apropriado por outro.

como um todo II


A equação perfeita entre "força, flexibilidade e coordenação motora". É isso que transforma um movimento vulgar num gesto de excepção. Há quem lhe chame na falta de um vocábulo melhor apenas algo "bonito". Algo aprazível à estética e que no fundo é a semiótica do belo. Aquilo que sempre perseguiu o ser humano desde que descobriu que se podia exteriorizar também pelo movimento.

E claro, por vezes há algo mais. Único. Como Spencer Skipper.

como um todo

Falávamos de desporto e género. Há desportos que não conseguem ser plenos praticados por determinado sexo ou porque requerem demasiada força ou necessitam determinada subtileza. Mas existem outros que parecem ter a equação certa entre finesse e explosão. Onde o corpo se exprime na plenitude do movimento, independentemente da massa muscular ou carga hormonal de quem o pratica. São desportos completos porque usam a musculatura e a estrutura humana como um todo. A ginástica é um deles.

O bodyboard é outro.

por mais forte

"Olha António, por mais forte que um homem seja, há duas coisas que nós não aguentamos, uma delas é o cansaço, há uma altura que tu tens de parar e dar descanso ao corpo e à alma; a outra são as mulheres, se tu sabes que é aquela e ela te abandona, tu ficas reduzido a nada"

António Cruz é um fotógrafo e bodyboarder que deu a volta a portugal montado(outras apeado) na sua velha lambreta. Para ler o diário de viagem, os encontros que teve e os conselhos que recebeu por esse portugal fora adquire a soup magazine deste mês.

derrotas que começam na bancada


"a presença alemã nas bancadas é avassaladora"

outros tempos, outras ondas

Confesso que sou um nostálgico das ondas e da geografia das ondas. Quando chego a algum lado que foi modificado pela mão do homem guardo sempre alguns minutos a imaginar como seria a disposição natural das coisas ante factum. Por isso é que estas fotos da Figueira da Foz são-me tão interessantes. Para quem conhece minimamente a terra sabe da mudança extrema que ocorreu ali naquela desembocadura que um dia albergou uma singela figueira que lhe deu nome. Existem lugares que depois de intervêncionados perdem completamente a sua face original, mas independentemente de para melhor ou para pior, sou um verdadeiro apaixonado pela paisagem esculpida apenas pela natureza. Nestas fotos vemos que o forte foi construído sobre um enrocamento rochoso que existe no que é a antiga foz do mondego, que antigamente existia um banco de areia que entrava para dentro do rio, que certamente garantia longas direitas na maré cheia, que já existia a célebre direita do cabedelo mas com outros contornos e muito mais longa, e uma esquerda resultante da acumulação de areias na boca do rio e que ali algures para buarcos existia uma direita que agora se encontra tapada pela areia. Quem tiver outras que partilhe!

(todas as fotos do site http://www.antoniocruz.net)

covil do vapor

Depois de anos a encarar caras feias e expressões maoris em picos como os coxos (deviam treinar no espelho) é oficial, agora temos também o nosso "santuário", um sitio tão sagrado que a maioria dos comuns esta impedido de o tocar.

Há quem diga que as coisas más não são completamente inúteis pois servem de maus exemplos, mas quem poderia resistir ao apelo do cinísmo surfistico onde tocam as liras angelicais do soul e ao mais puro egoísmo humano que todos trazemos tambem dentro de nós.

Num sítio como a costa da caparica onde ao rarear das ondas corresponde a abundância do espirito surfing era de esperar que fosse mais difícil a convivência num pico bom do que passar um camelo pelo fundo de uma agulha.

Segundo a revista onde me inteirei do facto, a regra confirma-se, há uma excepção. Pelos vistos existe um surfista que pode participar na rapina mas porque faz parte da quadrilha.

São todos, tenho a absoluta certeza pessoas com muito soul, e viagens no lombo e tudo é feito para proteger as ondas, o meio ambiente, o espirito, e as colonias de peixe besugo do local.

O localismo fez mais ao local do que 200 campeonatos ou 50 escolas de surf. Trouxe violência e intolerância àquele sitio.

custo de ser livre

Por vezes podemo-nos indagar como é que certos preconceitos que refutam a inteligência humana se mantêm indefenidamente. A resposta é que tem de existir um sistema por trás deles bem oleado e pessoas suficientemente desprevenidas intelectualmente para morder o isco.
Aparentemente existem indivíduos que querem fazer dinheiro através do ódio. Essa é a receita para qualquer revista de surfe aspirante que se queira afirmar como sendo "do core" e consiste em queimar um bodyboard (não sempre literalmente) como aconteceu aqui em Portugal. Isto é o melhor que as revistas francesas surf session e trip surf conseguiram fazer nos últimos meses:


Cada vez mais me apercebo que o bodyboard ou o boogie como tom morey lhe preferiu chamar, é o desporto de ondas mais livre que existe. O desconforto que existe em assumir uma posição para a qual somos empurrados é o sintoma mais evidente. Por mais que forcem o desporto para um estilo de guerrilha que não é do boogie. Como quando ontem perguntaram ao porquito porque não tinha optado pelo surfe ele respondeu candidamente e com toda a honestidade que atravessou a entrevista "não calhou". Ele próprio que é considerado o maior bodyboarder nacional faz outros tantos desportos incluindo - e bem - o surfe.
Os bodyboarders encontram-se na mesma posição que sempre estiverem, para se divertirem e para aproveitarem as ondas. Uma prancha que permite andar numa onda com todas as formas e de todas as maneiras permite essa consciencialização. E não há veículo que encarne tão bem o espírito original de andar numa onda como um bodyboard. Incrivelmente versátil, seguro, desassombrado. Como dizia orwell "numa era de mentira universal, dizer a verdade é um acto revolucionário". E o preconceito dos outros - livremo-nos dele - é, por vezes, o custo de ser livre.

notícias curiosas

Empresa de energia das ondas não consegue instalar central devido às «condições meteorológicas adversas»

Domingos atípicos

O melhor momento desportivo deste domingo foi ter havido uma entrevista do porkito na tv.

back to roots

Mudamos o layout. Agora está mais limpo e atractivo penso. Também acrescentei uma foto do sec. XIX com um havaíano a segurar um paipo e a olhar para nós. Ele agora vai tomar conta do blog. A prancha que ele segura é uma alaia, a primeira prancha conhecida no mundo para andar nas ondas. Antes dos troncos dos reis, dos fidalgos e dos playboys americanos do inicio do século. As alaias, que eram a prancha mais comum não só no havaí como no resto do mundo, existiam no japão (curiosamente chamadas itaka), no sudoeste asiático e até em são tomé. Tinham várias aplicações, diferindo apenas no comprimento. Elas praticamente desapareceram no sec.XX acompanhando o desvanecimento da cultura havaiana mas agora tem ressurgido pela mão de pessoas como mike stewart ou dave rastovihc.

Ceci n'est pas un bodyboard

Surrealismo, no sítio do costume .

também eu

"Eu sei de um sítio com uma horta, água limpa, um falcão peneireiro nos céus. Não tenho é gasolina para lá chegar."
daqui
(foto hugo m.)

bodyboard da trampa(trampbodyboard)


Há pessoas que vivem o bodyboard bem mais do que eu. E parecem divertir-se mais também.

conto de verão

Uma marca de relógios americana, a freestyle, decide publicar no blogue da empresa por achar pertinente ou relevante, um vídeo de um boogie a dropinar um surfista com a seguinte legenda: "(..) surfista é dropinado em wedge por boogie palerma(kook)"

o video nada tinha de interessante excepto o dropinanço, num closeout, num pico que toda a gente passa a vida a dropinar-se.

Jay reale, boogie e ex patrocinado da marca resolve escrever à empresa lamentando ver o seu ex patrocinador "perpétuar o ódio entre surfistas e bodyboarders" e a "duplicidade" de critérios da freestyle.

Entretanto o assunto espalha-se e sucedem-se alguns telefonemas à directora de vendas, Jenna, que acaba por confessar que ela própria "faz bodyboard" e que o post fora publicado sem autorização oficial etc.

Consequentemente o vídeo é retirado do site da freestyle mas alguém acaba por descobri-lo no youtube onde tinha sido colocado por Chad le bass o director de marketing da freestyle. No video o dropinanço é repetido diversas vezes, com recurso a diferentes velocidades de cãmara lenta.

Na página do youtube Chad aproveita para comentar o vídeo um pouco mais livremente, discorrendo que "não é de admirar que não patrocine esponjas" e que aquele "idiota arrasta piças" (a tradução é livre- dick draggig moron) não sabe o que anda a fazer no mar.

Um dono de uma surfshop, boogie, decide confronta-lo no youtube: "óptima representação da Freestyle, ó chad le bass". E continua ameaçando-o que iria "cortar nas compras da freestyle" e que trataria de explicar a sua decisão aos escritórios da freesytle.

Poucos minutos depois o comentário de le bass assim como do dono da surfshop são apagados da página do youtube.

A história termina, ou prossegue conforme a perspectiva,com boogies e surfistas a trocarem insultos e ameaças, para as proximas surfadas e noutros picos, provando talvez que o mau estar não vem directamente do video em si.

Aparentemente existem picos onde os boogies são intimidados a não entrar, (com recurso ao dropinanço) pelo que alguns gostariam que the wedge fosse um spot "bodyboard only".

E foram kooks para sempre.

o verão está aí

Dizem que os gatos tem direito a 7 vidas e os homens 4 queimaduras solares. Eu e o meu gato protestamos veementemente e prometemos greves!

o clássico e o arcaico

É certo que vivemos tempos de revivalismo e isso reflete-se nas tendências do desporto, no material usado e na imagem do mesmo. É uma espécie de retorno a uma ideia romântica das origens.
Mas ao nível da sociedade existem outros géneros de revivalismos bastante menos inócuos como se pode ver pelo acordo dos 27 europeus para aumentar a jornada de trabalho até 65 horas em alguns casos. Para quem não está a ver o que isto significa, quem trabalhe 6 dias por semana terá de trabalhar durante quase 11 horas por dia, ou quem o faça numa semana de 5 dias, a funesta marca das 13 horas diárias. É uma concepção que fixa um período mínimo de descanso de 11 horas e arrasa completamente com qualquer direito ao lazer e tenho mesmo as minhas dúvidas quanto ao "descanso" em alguns casos. Esta medida é uma regressão do código do trabalho que foi fixado pelas enormes mobilizações imagine-se, do sec XIX...
Lembro-me de ouvir falar na sociedade do ócio, na diminuição das jornadas de trabalho por via da maquinização e dos avanços imparáveis da tecnologia. Agora vejo quanto mais o futuro se afigura o mesmo de sempre e a mesma bestialização do homem agarrado a sobrevivência. Para quem gosta de andar nas ondas ou apenas olhar o mar, saberá sentir isto mais que ninguém. Saberá do valor de nada produzir.

inspirações para a selecção#1

Campeões do mundo
manuel centeno
dora gomes
gonçalo faria

convidado de honra #1

Pedi ao Pedro Ferreira, companheiro de tantas viagens que escrevesse um texto sobre a fotografia e a exposição. Aqui fica assim, o ponto de vista de um fotógrafo. Muito obrigada a ele.

A necessidade de procurar e ver coisas novas faz-me suar aqui sentado à frente deste computador.

A prisão (e necessidade) de ter um emprego das 8 as 17, férias fixas e pouca flexibilidade de horário ainda aguça mais a vontade e sempre que posso lá vou no carro do costume à deriva pela costa, neste caso como “fotografo” e não para surfar.

Não é fácil encontrar…quase sempre não compensa (falo de ondas), mas de vez a vez lá vem alta recompensa.

Como sempre, no meio da confusão e adrenalina, tiro maquina, lente e tripé, preparo tudo ponho a mochila ás costas e estou pronto para fazer umas ondas com os que vão lá para dentro. Tornou-se um ritual como se estivesse a vestir o fato e a dar wax na prancha.

Quando tudo acaba, quando as fotos estão guardadas nos cartões, quando só nós estivemos lá, quando contado ninguém acredita põem-se a questão: guardar ou partilhar?

Nunca tomo esta decisão sozinho quando se visita os picos de alguém ou quando se encontra uma onda, porque afinal sinto como se a tivesse surfado. Nos “secrets”, se nunca ninguém a denunciou publicamente não vou ser eu a faze-lo de certeza…é certo que colaboro com as revistas mas não me peçam localizações ou mapas detalhados…o que se decidir eu faço e se for para guardar eu guardo…afinal, posso ver as fotos quando quiser!!!!

P.S: Muito se fala sobre este assunto…nestes casos as vertentes são muitas e a maior parte só olha pró próprio umbigo e falta-lhes bom senso! Uns precisam de exposição..outros de expor…outros querem tudo como sempre foi…outros acham que se deve divulgar….mas abram os olhos: Há equilíbrio no meio disto tudo!

Obama

Muitas vezes é dificil optar pela mudança. O comodismo e digo isto no sentido de habituação a, é uma das forças mais preponderantes no carácter do ser humano. Normalmente é-nos apontada como um defeito, como insensatez e imprevisibilidade. Este tipo de crítica é um apelo directo ao que de mais atávico e inconsciente temos.

E no entanto por vezes as pessoas decidem tomar uma decisão, optar por seguir em frente e virar a página. Independentemente da validade das escolhas, porque são sempre uma incógnita à partida, há todo um valor simbólico em optar pelo sonho de algo melhor. Em materializar essa vontade. Vontade de mudar para melhor. E em especial acreditar nisso. Esperemos que não pare.

o cartel










Alguém avise a autoridade para a concorrência.

duas de seguida





foto: Jmelo