noticias verdadeiramente deprimentes

Silvano Lourenço, e em especial Manuel Centeno estão em marrocos para competir no Europeu.

pumpabike human hydrofoil

um minuto da minha vida que nunca mais vou recuperar.

mais uma casualidade do dinheiro que vai para o surfe

brenden newton, vinte e poucos anos, o gajo que mais puxou os limites das ondas grandes nos últimos anos na austrália, desiste do bodyboard profissional por "falta de patrocínios".

PS.Nos últimos meses ele andava somente a tentar apanhar a "maior onda de sempre" em shipsterns.

entretanto em estocolmo


Outro campeonato de backflips e a belíssima Blanka Vasic.

rescaldo

Uri valadão é oficialmente o melhor bodyboarder do mundo em ondas pequenas. Esta vitória em Rio das ostras, a segunda vitória na segunda etapa com ondas pequenas no tour, e a sua performance em ambas só vieram constatar que ele é quase imbatível quando as condições estão mais pequenas. "Quase imbatível" é uma frase bonita de ser dita quando se fala de competição porque é motivadora e transcendente. Há muito tempo que não era posível dize-la.

Há muito que ando a dizer que este brasuca tinha qualidades que o colocavam acima dos demais, apesar de na generalidade do mundo bodyboard ser visto apenas como mais um brasileiro que surfava bem mar pequeno. Neste último campeonato pudemos comprovar que possui uma velocidade, técnica e acima de tudo uma projecção que o colocam acima dos mortais.

O seu estilo de bodyboard é distinto e faz parte de uma segunda geração brasileira vinda do nordeste, região que apenas pode contar com condições pequeníssimas todo o ano. Os bodyboarders nordestinos revolucionaram a competição no brasil, que é geralmente feita em condições fracas, abocanhando títulos atrás de outros.

Em termos de carreira mundial é dificil de prever se Uri alcançará ao título ou uma tarefa que me parece ainda mais complicada, se alcança a legitimação perante esta plateia que é uma das mais exigentes do mundo. No último campeonato do confital e em pipeline uri mostrou muita evolução, especialmente no confital onde esteve imparável. Se as ondas médias estão perfeitamente ao seu alcance resta saber se chegará a tempo ás ondas mais pesadas. Disso depende deixar - ou não - o seu cunho na história do bodyboard mundial.

pragmatismo III

Ben "benny" player acabou por não participar na etapa de Rio das ostras. Depois de ter conseguido uma boa classificação em santa catarina(5º) que ainda poderá descartar na perna europeia, para quê arriscar uma desmoralização na etapa do mundial com as piores ondas? O chile promete.

paradigmas perdidos

Existe um paradigma que diz que o circuíto mundial é na sua maioria constituído de provas em mares ranhosos, fundos de areia, ondas pequeninas e competidores manhosos. Isso afastou muitos bodyboarders talentosos do tour e algum do interesse que a competição poderia suscitar. No entanto nos últimos 5 anos nenhum dos campeões do mundo:
Ben Player
Ben Player
Jeff Hubbard
Damian King
Damian King
mostrou ser capaz de vencer um campeonato em ondas de areia. Nem um sequer.

genes

Com 13 anos Guilherme tamega já surfava melhor que a maioria dos seus pares e era apontado como futuro campeão do mundo. A probabilidade de voltar a aparecer alguém com um talento genético semelhante é infíma, mas quando isso acontecer vamos sabe-lo de imediato. foto: Marcelo Cozzare

fora das ondas

Anda toda a gente muito indignada ultimamente com o caso do rendimento minimo dos ciganos do bairro de loures. A agitação é muita e esgrimem-se os mais disparatados preconceitos nomeadamente no que diz respeito à manha da "raça" e á vileza da condição social. No fundo o que está em questão é o uso indevido de verbas públicas (de todos nós) especialmente num momento difícil para as maioria das pessoas.
No entanto assim de repente consigo pensar em vários casos a quem deve interessar tanto escarceu acerca do esbanjamento social e que devem estar a abrir as garrafas de champagne do alívio.

São eles os políticos que recebem diversas reformas ao mesmo tempo, os subsídios milionários de "reintegração" para ex-deputados, os gestores dos fundos europeus directos ao bolso, os milhares de empresários que auferem o ordenado mínimo, os autarcas corruptos das empreitadas sem concurso, os beneficiários das viagens "diplomáticas" constantes, os clubes de futebol a quem são sempre remediados terrenos, subsidios, acessos, estádios e o que mais faltar, os bancos que antecipam taxas de juros, as petrolíferas que aumentam quando o petróleo desce, e todos os mais compadrios, venalidades, desonestidades e todo o género mais de sacanisse que eu não me consigo lembrar agora, muitas vezes legal.

São os ciganos deluxe, e no que toca a desbaratar fundos do estado em proveito próprio muito mais profissionais e dedicados que qualquer outro dos últimos visados. Como sempre os bodes expiatórios são escolhidos à força da demagogia e do preconceito. Como sempre quem rouba milhoes nunca tem o beneficio do ultraje. Como sempre pretende-se mudanças que nada alterarão.

Existe um filme, o qual por vezes me relembro, o "leopardo" de visconti que trata exactamente de convulsões sociais. Em especial há uma frase emblemática nele que não me esqueci: "é preciso que tudo mude para que tudo continue na mesma".
Por vezes sim, parece necessária a revolta das pessoas, quando a pressão se torna demasiada, mas apenas para limpar o aspecto das coisas, para maquilhar as consciências. Há especialistas em direccionar o ressentimento. Para que a grande espoliação continue, impune.

coisas boas de portugal III

Pedra branca. fotografia por João Melo

a ditadura da competição

Como se depreende dos posts anteriores o mundo da competição no bodyboard tem características muito próprias que o diferenciam da maior parte dos desportos. Primeiro porque a participação de atleta A ou B não está dependente de vontades alheias ao bodyboarder, sejam elas patrocinadores ou expectativas de terceiros. Depois porque o core do desporto, a identidade vital está completamente transferida para fora dos heats. Ambas as condições garantem desde logo uma liberdade essencial que independentemente de ser bom ou mau em termos de marketing é saborosa e garante uma independência saudável face ao mundo em que vivemos, que gira e retorna em torno do consumo, do produto. Hoje em dia tudo é comercializado, inclusive o próprio desempenho das pessoas.

No bodyboard quem quer ser campeão só pode contar com a sua vontade, determinação e capacidade de luta. Quem quer afirmar-se no desporto pela performance tem de lutar também com as suas forças por prova-lo nas condições mais duras. Não há carreiras ou passos pré definidos a tomar. Quem entra fa-lo por si e apenas está comprometido com si. O próprio espectador está mais distante de tudo isto. nada tem a perder, ganhar ou apostar. O que reconhece, fa-lo por interposta concretização do atleta. Esforço, mérito próprio. Seja qual for o que procuram. Tão simples quanto isso.

pragmatismo II

Ben player foi o único australiano a confirmar presença em rio das ostras (brasil).

pragmatismo

Centeno vai competir na proxima etapa do circuíto mundial em rio das ostras(brasil).

receitas de verão

Ou como brilhar na gastronomia australiana, apresentando um saboroso "sharkisland com mexilhão".

1º querer
2º estudar
3º trabalhar
4º trabalhar
5º trabalhar
6º ter talento

O chef sul africano mark mcarthy, apresenta-nos as dicas para um estrangeiro brilhar na díficil e condimentada cozinha aussie:

What were your goals going into the Shark Island event?

Well my goals for this event were to win it as I wanted to better last year's result (2nd). Just so gutted that I did not land that last manoeuvre - I only needed a 5 and if I landed it I would of got a 6 at lease. So I just have to get ready for the next event now !! I am killing for a win!

Run us through your preparations?

I spent lots of time down in Cronulla studying 'the Island' in all different swells big or small. It is really a special wave to bodyboard so it pays off to do your homework. All the local boys have been really cool to me down here so they have been good help too. But at the end of the day it was just bodyboarding the Island lots and try going big every surf and just learning from all the mistakes.

What do you attribute your continued success at Shark Island to?

I really enjoy bodyboarding the Island - it just such an amazing wave. I think the wave suits my type of riding. To do well in the Shark Island event you have to ride the barrel well and be able to hit the end bowl exiting the barrels but it takes time to get the timing right to mix it up ... but I am not going to give to much away now.

via sixty.co.za

shark island challenge(fim)


Quando a condições irregulares se sobrepõe o vencedor regular está encontrado um verdadeiro campeão.

os cobradores do fraque

O sic challenge em especial o seu cartaz pôs-me novamente a pensar numa série de coisas relacionadas com o investimento no bodyboard, em especial no país de onde nos vem este maravilhoso campeonato que nos cola ao ecrã até tantas da manhã. É justo dizer que há marcas no surfwear que apoiam o bodyboard ao patrocinar atletas, mas continuam a existir meandros que por escrúpulos estas mafias não conseguem habitar.

Falo dos campeonatos ou outros eventos que pela sua natureza possam vir a influenciar positivamente o bodyboard quer dentro da sua propria camarilha como em relação à sociedade. No que toca ao compromisso o surfwear foge como uma meretriz que descobre que o cliente está enamorado por ela mas completamente liso. Prefere uma companhia do genero visita nocturna que vai satisfazendo esporàdicamente as muitas necessidades e poucas ambições de ambos.

Independentemente do dinheiro que se gaste com mais uma superestrela cheia de estilo e presença mediática é como apenas gastar dinheiro na representatividade, num poster se assim quisermos dizer. É um montante que vai ser reembolsado com juros pelos cobradores do fraque espalhados por tantas surfshops. Mas no que toca a depositar naquilo que pode fomentar o desporto é estar quieto e vê-los recuar para a toca donde observam o bodyboard afiando as suas presas. Por isso meus senhores olhem por favor para o cartaz do sic ou outros, as marcas com que andamos de braço dado a vista de todos são as mesmas do costume.

leitura recomendada

o desespero de falhar um 360º no fundo de pedra.

sic 2008


Ainda não foi desta. Pinheiro teve de arredar-se com um 3º lugar num heat complicado e desta forma ficam em stand by as aspirações portuguesas em cronulla que um dia será nossa novamente. Pelo caminho ficaram ainda rui ferreira e o gastão, dois dos nossos mais ilustres mas que sucumbiram no pesadelo das triagens.
Em termos de ausências, ficam notadas as de Damian King e Andrew Lester que deixam um certo vazio que a nova geração aussie parece não conseguir suprir. Já John Showell, uma certeza já de outras edições parece estar cada vez em mais forma e a reclamar o estatuto de local mor daquele pico, basta ver aquela onda de cutback para tubo para perceber que as linhas que desenha não são de todo normais.
Sharkisland continua única, mesmo quando as condições estão longe de clássicas. É uma das catedrais do boogie e o palco perfeito para mostrar o quão versátil o bodyboard consegue ser nas ondas mais animais e dificeis do planeta.
O campeonato decorrerá provavelmente amanhã e visto não haver lusos em prova, vou torcer pelos 5 europeus ainda em competição(3 espanhois 2 francius), uma obrigação solidária que deveria ter constado do tratado de lisboa.

coliseum

Viajar para a austrália que é um dos destinos mais caros do mundo, ficar lá a viver por um mês durante o período de espera. Abdicar da família, dos amigos e de uma quantidade considerável de dinheiro. Ver os minutos passarem a olhar para um mapa de isobaras ou as previsões na internet.

Jogar a sorte nuns meros 20 minutos, ter de arriscar tudo num pico onde as lesões são a sério e a rochas estão á vista. Ver as falésias repletas de espectadores que exigem bravura. Construir ou destruir uma reputação. Isto não é pressão, é ter o mundo inteiro sobre os ombros durante uma fracção de minutos.

Entre o céu e o inferno vão apenas 20 minutos. A menos que se finja para si próprio que nada daquilo interessa. Alguns já o começaram a fazer.