legends never die

Génio, louco, visionário, suicida, o maior talento, o maior competidor, todos os epípetos já foram utilizados para descrever Guilherme Tâmega, o que interessa é que ele está de volta ao circuíto mundial.

E agora o serviço publico. Lembro-me de vêr este clip em 95 e pensar que estava a presenciar coisas totalmente novas no bodyboard. Passados 13 anos há ali pormenores que continuam irrepetíveis, penso, até pelo próprio. Para apreciadores de arte fina, enjoy:

tubemania

Há uns tempos lamentava a falta crónica de novos videos de bodyboard em portugal esquecendo-me de um pormenor tão importante como é o da democratização do video preconizada pelo youtube. Por todo o lado surgem clips, previews, e intenções de facto. Alguns espero chegarão a video, outros valem tudo pelo formato que tem, e não é pouco. Na verdade o bodyboard audiovisual fervilha por debaixo das bases.

Momentos de beleza nas praias do Porto. (vejam o cotovelo de Leça):


Cabo verde é um dos sitios do mundo onde se pode aproveitar os prazeres do waveriding no seu estado ainda puro e onde o bodyboard tem muita expressão:


Coisas de que nos podemos orgulhar: Filipe Ochôa ex bi-campeão europeu.(e aquela esquerda na Adraga):

o som do mundo

É meia noite e ouço lá fora as ondas a quebrarem com percursão. É o som de ondas com leste, sei porque fazem um som diferente, mais seco e definido. Mas por todo o mundo juntam-se tantos milhões de outros sons iguais e diferentes todos os dias com a persistência do tempo. Suponho que ecoam pelo universo, mas passam despercebidas à quase totalidade das pessoas.
O mar nem está grande e ouço-as. A quilometros de distância cadentes e com um chamamento. Ouço-as porque conheço o seu som.


"Waves, endless waves, alone/ thunder on, waves, thunder to the world. " - Ko Un

Homens da água

Este post vem a propósito de duas coisas, 1ª (e ainda não mencionei o facto por ter estado em foco em todo o lado), de Mike Stewart ter sido eleito waterman do ano pela Quicksilver, uma marca de surfwear que não apoia o boogie(declaradamente anti). E a 2ª a propósito do post anterior.
Ambas são sintomáticas de uma realidade inatacável e digo isto de forma desiludida, o espírito waterman está hoje em dia praticamente cingido ao bodyboard. Não faltam relatos e exemplos do que estou a falar, inclusive em Portugal. A título de exemplo digo-vos que o porkito este ano até chegou a algumas finais do cicuíto da figueira em...surfe. Outros exemplos ha de bodyboarders que dominam o longboard, skimming, bodysurf.. Para quem não sabe e é uma palavra tão bonita para ser usada que até já fazem prémios com ela, waterman implica fazer vários desportos. Parece simples mas não é..
Do lado de nuestros hermanos uma cegueira mainstream e comercial perfilha todos os praticantes como ovelhas numa única direcção, o shortboard, privando-os da liberdade de diversão e de alguns neuronios para dizer o menos. Cada um sabe de si...
Para terminar deixo uma citação retirada do site da lmnop, uma marca de bodyboards, e completamente impossível de ver em qualquer sítio comercial do surfe nos dias que correm:

"Crosstraining is the key to staying in the water and becoming the complete waterman.. Stand up paddle surfing, surfboard, longboard, fish, tow-in surfing, and of course BODYBOARDING!"

na foto o hawaiano Nelz "vellocity" vellocido

marketing strikes

há coisas que irritam. Uma delas é a publicidade em demasia. Faz-me sempre pensar que o que me estão a vender nem é assim tão bom que fale por si. Como a rip curl é uma marca que parece apossada deste espírito colando furiosamente bonequinhos por tudo o que é lado fiz-lhes o favor de antecipar mais uma publicidade para benefício glorioso da marca e pus o boneco em primeira fila a apreciar mais um feito da ripccurl. O bodyboarder na imagem é o brad hughes, e está a descer aquela que é a maior onda documentada na austrália. Apesar de ser patrocinado pela ripcurl nem uma pequena menção apareceu onde quer que fosse. raios, ele nem aparece no team...

rescaldo

Os maiores feitos geralmente necessitam de um período de maturação para serem assimilados, pois além dos limites físicos(reais) que são quebrados, há todo um esquema mental que é refeito para adptar a nova realidade. Nós estruturamos o mundo também em função dos limites. Depois de algum histerísmo, negativismo e chorrilho de críticas imponderadas bem ao estílo português, eis que começam a chegar algumas opiniões distanciadas o suficiente para percebermos o que é que realmente o special edition deste ano significou:

"é este género de competição que faz avançar o nosso desporto"
"Hoje em dia a Nazaré tem a reputação de ser um dos mais pesados beach breaks do mundo"
"Este evento foi certamente a melhor competição que eu já participei"(organização)
"Sem nenhuma dúvida é (foi?) a competição mais fisica de todos os tempos"
"sim(foram as maiores ondas que apanhei na Europa[...]tão pesado como o Hawaii."

Da entrevista original de Pierre Costes. Obrigado ao fundodeepedra.

a beleza dos equívocos II

Depois do circo no north shore hawaiano, depois dos crowds, dos autocolantes, das porradas, dos paparazzis, dos milhões e das revistas, depois de terem comprado a ausência do boogie em oahu, depois disso tudo, em fevereiro será a primeira etapa do circuíto mundial em pipe.

a beleza dos equivocos

O bb4fun pergunta-se o que andará Jono Bruce a fazer? Todas as artes tem o seu james dean, alguém que prematuramente desaparece, alguém que promete demasiado para a sua própria humanidade. Apenas fica a beleza destes equívocos..
Acho que o que Jono anda a fazer nestes dias é apenas ser jono. No caso do bodyboard a ser lembrado pelo pó de estrelas que deixou. Tinha de ser assim. O que não é pouco.

modas

Durante muito tempo os embossos foram vistos como algo ridiculo e "brasileiro". Muitos atletas portugueses que usavam embossos, deixaram-nos definitivamente. Chegaram a haver marcas que apenas tinham embossos nas baixas gamas, e noutras foram banidos por completo pelas mais diversas razões "técnicas". Agora pelas mãos certas os embossos e outras esculturas de deck vão voltar em força, mas com uma aparência mais "cool". Vai-se jurar a pés juntos que são aplicações que resultam e em alguns casos apenas acessíveis para os mais abonados. O mercado de consumo é isto mesmo, reinventa-se, contradiz-se. E os consumidores seguem os trends, envolvem-se, desapaixonam-se como crianças. E continuaremos a comprar pranchas mais pela beleza que pela real funcionalidade. E isso meus caros, só tem a ver com a maneira como se apresentam as coisas. E estas, já são belas o suficiente?