É curioso como por vezes podem conviver paradoxos tão intensos como o facto de não haver nada neste mundo (prontos, talvez o amor) que nos ligue tanto a uma terra como uma onda e por outro ser o que muitas vezes nos faz abandonar o sedentarismo em prol de outros locais. Raramente se usa a palavra "local" como usam as pessoas que andam nas ondas, e muitas vezes com uma seriedade ufana. Ancestral.
Hoje em dia a metropolização do mundo fez-nos aceitar a necessidade da partilha dos espaços, cada vez mais exiguos. Antigamente haviam alguns conflitos por vezes violentos de "localidade" em especial relacionados com a àgua. Era visto como um bem vital, o que justificava comportamentos irreflectidos, mesmo que a carência não fosse um facto. Ainda o é.
tele rural

É verdade que o porkito tirou o gesso do pé e passou uns heats em 1º no campeonato nacional(dont do this at home kids), É verdade que ninguém viu o faustino a competir este ano e que tem corrido de mão em mão umas fotos suas em ondas assombrosas, É verdade que o circuíto australiano tem ganho especial relevo com a participação das estrelas todas, É verdade que o mitch vai à frente destacado(esperemos que a billabong não o despeça se for campeão), É verdade que vem aí uma nova revista, É verdade que vão sair novidades nos dvds portugueses, É verdade que a vert está quase a sair e na capa vem o $%&$ numa grande /%$$% na %$##, É verdade que o João André esteve nos maiores clilindros da cave este ano.
E para finalizar, cuidado com aqueles surfistas de cabelo amarelo que vêm tirar o fato para a vossa beira.
mind-blowing places
a importancia de se ser australiano
"Seriously, Australian guys overseas have rock star status" diz-nos ben Clegg no site da riptide sobre a sua viagem à europa.
competição dura chega ao grande público
"Pinheiro entretanto já começou a disputar as etapas do circuito europeu, com provas em Vila do Bispo, que não correram muito bem devido às más ondas e à marcação cerrada de dois rivais da Póvoa de Varzim." - in DN online
bad peaks
O peak oil é uma teoria já com bastantes anos que argumenta que a extracção de petróleo chegará a um pico de produção depois do qual se iniciará um declínio até se esgotarem todas as reservas. Nos últimos meses tem-se badalado mais insistentemente que esse período na realidade já chegou e sem qualquer implementação de matérias alternativas de produção de combustível e os seus derivados. A implicação para o mercado do boogie é obvia especialmente se pensarmos que todo o material tem algum composto de petróleo nele. Quando palavras como "racionamento" começam a ser ditas as coisas tomam um carácter mais sério e apesar de termos a certeza que andar nas ondas é uma actividade sem perigo de extinção uma coisa é certa, os preços do equipamento de bodyboard aumentarão já para o ano que vem aí.
num lençol de chamas
"Há um êxtase que marca o apogeu da vida, para além do qual a vida não se pode elevar mais. E tal é o paradoxo da existência que esse êxtase surge quando se está mais vivo e surge sob a forma do completo esquecimento da própria vida. Esse êxtase, esse esquecimento de si, atinge o artista, surpreendido, em transe, num lençol de chamas, atinge o soldado, enlouquecido pela guerra, que numa batalha perdida recusa tréguas;" - Jack london
a realidade essa convidada inesperada
Existem dois pressupostos nesta questão. Por um lado portugal é um país pequeno, com uma costa limitada e por isso possibilidades também limitadas. Por outro lado o bodyboard e o surfe são desportos em crescimento, com mais praticantes e com uma procura crescente da descoberta e da novidade. Ambos os pressupostos chocam entre si e provocam aquilo que alguém já designou como uma autêntica "guerra" pelos recursos. Os sintomas estão à vista em especial no bodyboard com o aparecimento quase em simultâneo de várias questões, tendências ou desabafos. Pela primeira vez surge um sentimento claustrofóbico de limitação, de encurralamento.
Se por um lado os sítios tradicionais vão-se tornando por vezes impraticáveis pelo excesso , por outro isso faz com que as pessoas procurem cada vez mais alternativas, ou valorizem intimamente a reclusão. No fundo vamos andar cada vez mais aos encontrões uns com os outros e muito provavelmente com pessoas que gostam dos mesmos sitios de nós.
Podem ler algumas opiniões actuais no blogue tempo dividido, e pela pena do João Ribeiro.
Se por um lado os sítios tradicionais vão-se tornando por vezes impraticáveis pelo excesso , por outro isso faz com que as pessoas procurem cada vez mais alternativas, ou valorizem intimamente a reclusão. No fundo vamos andar cada vez mais aos encontrões uns com os outros e muito provavelmente com pessoas que gostam dos mesmos sitios de nós.
Podem ler algumas opiniões actuais no blogue tempo dividido, e pela pena do João Ribeiro.
olha mãe sem motas
João André saca um tubão animal no "bunker", enquanto Fábio Laureano atira-se com tudo a uma junção da nazaré.
a falar de cricket é que a gente se entende
"You can't afford to be frightened, you might be out there facing someone very quick from the West Indies, Jeff Thomson or Dennis Lillee(ambos lendas do cricket)" - Kim Hughes, ex-estrela do cricket e pai de brad "huge" Hughes sobre as façanhas do filho.
mundial de bodyboard
Encontrava-me eu a matutar sobre o bodyboard que não é coisa que aconteça frequentemente quando me lembrei da última etapa do mundial no Brasil. Tudo correu bem, a organização, os prémios, o ambiente e a vibração em geral fizeram daquela uma boa etapa do mundial exceptuando o facto de quase não ter tops a participar na prova. O que faz desta uma prova do mundial digamos.. semi-mundial. É aí que começa o problema. Por muito talentosos e guerreiros que os boogies brasileiros sejam, o público e a organização banca um mundial para ver os estrangeiros em acção. Porque senão bastava organizar um Brasileiro ou Latino-Americano. Um mundial serve para vermos ao vivo, tocarmos com os olhos aqueles que geralmente só são alcansáveis de dvd ou revista. Para termos o prazer de directa ou indirectamente os vislumbrarmos nas nossas ondas. O futuro e o sucesso desta etapa está intimamente ligado a este facto, o nr e qualidade de bodyboarders de fora que conseguir atrair. Quanto mais o fizer, mais legítima se torna.Porque é que Um dos proponentes ao título como Jeff Hubbard não foi a etapa? Porque não achava que seria compensatório em termos gastos/pontos/exposição. Todos sabemos que qualquer organização gostaria de ter todos os bigshots no seu campeonato, mas não basta querer, é necessario nestes casos de os atrair.
Exceptuando o facto de se fazerem períodos de espera demasiado longos (o que torna a estadia por si cara em incomportável) há algumas medidas que podem fazer com que um atleta do fim do mundo se sinta motivado a ir competir ao principio do mundo. São em português corrente apaparicações, tratamentos de excepção que se justifiquem pela necessidade de gerir um campeonato com sucesso. Olhar para o evento como aquilo que é: um evento para o espectaculo e desporto, uma espécie de festival de música do boogie. São elas algumas sugestões:
-alojamento gratuito para os tops
-seedings protectivos para os tops (trials)
-wildcards para estrelas que não compitam
-prizemoneys garantidos para os tops
chinesisses
Não é segredo nenhum que a maioria da industria mundial se encontra na China. Desde as sapatilhas, aos brinquedos, os mp3 ou as t-shirts, a maioria dos produtos são fabricados neste país que nas últimas decadas ganhou o epípeto de "fabrica do mundo". Se nos primeiros tempos a economia chinesa se caracterizou apenas pela venda de produtos baratos e de baixa qualidade, eu esperava e espero que o cutting edge da tecnologia fosse gradualmente movendo-se para a Asia devido à transferência de know how das industrias ocidentais, e pelo investimento gigantesco operado na àrea da educação e desenvolvimento. No bodyboard os produtos feitos na china começaram por pranchas de baixa gama de má qualidade mas a preços incríveis. Timidamente foram entrando no mercado da gama média e muito timidamente no mercado high end. Mas com a acumulação de conhecimento e recursos, muito naturalmente chegaram a um ponto em que estão finalmente em condições de dar cartas no mercado da produção mundial. Assim para o ano que vem vamos ver algumas inovações generalizarem-se como os flat stringers e novos cores e decks. Tecnologia que pela primeira vez faz o trajecto inverso do conhecimento de bem fabricar pranchas de bodyboard. Vêm da China.
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