ressacas

Este ano sabático de special edition fica com um certo sabor a orfandade. É como se o mundo girasse mais anónimamente para este pedaço de terra á beira mar. É uma verdade, ficamos mal habituados, tremendamente mimados, quando nos é dado a desfrutar um campeonato como o do ano passado, com repercurssões que ainda hoje se fazem sentir.
Só me ocorre uma coisa quando penso que só daqui a 12 meses teremos um evento com o nível do "edition". Ninguém quer pegar nestes anos livres para fazer qualquer coisa remotamente parecida com o special? É que a ressaca começa a atingir-nos mais forte quando começam a entrar ondulações e o offshore de outono. Ericeira? Alguém?

Uma história preconceituosa

Num mundo paralelo à nossa existência o bodyboard é o desporto de ondas mais massificado. Graças à sua dimensão financeira o bodyboard conseguiu reivindicar um recife artificial à admnistração regional alegando que isso traria benefícios ao desporto local e mesmo ao túrismo da zona. Durante o projecto surgiram ideias megalómanas, já que se tinha a farinha na mão, porque não fazer algo realmente impressionante? Então fez-se pressão no sentido da onda ser comprida, mais comprida que o vulgar, e manobrável, bastante manobrável. E assim os engenheiros trabalharam.

O resultado final foi algo desapontante, a onda era cheia e os lips dificeis de lidar. Não era afinal assim tão divertido quanto isso. Era apenas uma onda para atrair para uma mão cheia de principiantes. Passado pouco tempo os surfistas, encantados com a onda tomaram o lugar de assalto. Obvios beneficiarios do projecto regojizavam-se com as ondas e de vez em quando perguntavam aos boogies pelo recife para os arreliarem. E os bodyboarders continuaram a surfar as mesmas ondas de sempre e a olhar o tal recife a ver se algum banco de areia mais raso se tinha formado. Suckers.

o reino animal

Em 2004 na praia de ocean beach na nova zelandia um grupo de golfinhos protegeu 4 nadadores de serem atacados por um tubarão branco. Enquanto nadavam em mar aberto os nadadores começaram a ser inexplicavelmente rodeados por golfinhos que se comportavam agressivamente. A explicação para tão estranho fenómeno só se deu quando um dos nadadores abriu os olhos debaixo de água e viu um grande tubarão passar por baixo deles. A "protecção" durou cerca de 45 minutos até o tubarão desistir depois dos quais os golfinhos, desapareceram sem deixar rasto. Especialistas estimam que perante o número de espécimes envolvidos que os golfinhos tenham pedido ajuda a outros companheiros a quilómetros de distância através de ultrasons.
Os golfinhos são considerados um dos animais com maior inteligência no reino animal tendo ainda uma característica peculiar: A parte do cortex cerebral dedicada às emoções está bastante desenvolvida. Que é necessário partilhar emoções para demonstrar empatia pelo próximo está penso eu razoávelmente alinhavado, o problema é que muitas vezes estas são desvalorizadas em prol de uma pretensa racionalidade.
Ora um animal que não o ser humano seja capaz de altruísmo é suficientemente comovente para olhar outras espécies com admiração especialmente se tomarmos em conta a natureza da vida selvagem. Muitas vezes a lei da natureza ou a do mais forte é invocada pelos próprios homens para justificar certas opções. E vezes demais certos individuos "racionais" comportam-se dentro de água de maneira muito mais inferior que outros animais de barbatana.

casestudy reefs artificiais

A imagem do que temos que é uma onda perfeita modela em muito as nossas decisões. Por vezes até numa direcção errada. Se há muitas pessoas que compraram um bilhete para o hawaii quando provavelmente se tinham divertido 10 vezes mais nas maldivas também o mesmo processo se revelou na construção do reef artificial de Mt Maunganui na Nova Zelândia. Aos inúmeros pedidos de uma onda tubular e perfeita a construtora talvez pressionada pela expectativa "fotográfica" criou uma coisa um pouco diferente na realidade. Ouçamos as primeiras reacções:

A small (and rather soft) northeast swell generated from a close low and high pressure squash zone sent clean one metre swells to the Mt Maunganui coast. A solid pack of surfers sat on the peak with bodyboarders dominating the left-hand break for most of the day. Most were pulling into deep barrels and occasionally making them. Stand up surfers were still coming to terms with the savage drop with many heading over the falls. It's interesting, all these shots were taken as the reef broke on the mid to high out going tide - what will low tide, large swell and a stiff offshore produce?

Conclusão, pressionados pelos média, pelos surfistas mais experientes e pela própria ambição dos promotores um "pequeno" swell de 1m provocou a carnificina entre os surfistas e um festim para os visitantes inesperados, os bodyboarders.

The waves produced by the reef were very short, sharp and at times spooky. Peaks built gradually and peaked over the reef often jumping at the last moment. Occasional double-ups produced some weird and spooky looking lumps of water. The wave featured a late drop, which transformed into a gaping pit and fast wall through to a fat wall/fadeout near the end. Estimated length of ride was around 20-40m. Duck diving can also be a rough experience with many surfers being sucked up and thrown over the falls.

Conclusão, um paraíso para o bodyboard uma carga de atribulações para os surfistas. Quem tem mais olhos que barriga é bom também ter um bodyboard em casa. Mas se como disse os bodyboarders exibiam sorrisos de orelha a orelha como é que foram as reacções gerais?:

The Reef most definitely has a personality all of it's own. In it's current state it will attract a lot of surfers who are looking for something a little different.

Tradução, a onda é fodida e não vão ser os locais que a vão surfar. Surfistas que procuram "algo diferente" ou se refere a bodyboarders ou profissionais que se contam pelos dedos das mãos.

At lower tides the reef can become extremely shallow, the Mount Reef people tell us that it is quite possible that it could suck dry 15 metres ahead of the takeoff on big days at low tide. This will attract the thrill seekers who need a good thrashing over the falls

Com que então gastam-se rios de dinheiro público a fazer uma onda para lunáticos? Mais uma vez os bodyboarders, não sendo lunáticos agradecem.

With solid clean groundswell conditions present, the reef looks as though it has the potential to work.

"parece que poderia funcionar". Faltou só um bocadinho assim.

The other interesting factor is the effect the reef will have on the sea floor between the reef and the beach. It is quite possible for a sand build-up to arise in the lee of the reef, again increasing the possibility that waves breaking on the reef will continue and link through to the beach providing rides in excess of 100m.

Ou seja nos seus sonhos mais ousados há quem sonhe que apareça uma onda "fora" do reef, essa sim, uma boa onda.

Este exemplo paradigmático ilustra na perfeição um modelo falhado de implementação de um reef para surfe e um sucesso absoluto para bodyboard. A conclusão é óbvia, as ondas ideais não são iguais para uns e para outros. Isto poderia dar que pensar dado que a noção corrente é que as coisas se confundem. Uma mutante curta pode realmente ser um playground do boogie e o maior pesadelo do surfista. Nestes dias em que se discute a possibilidade de um reef artificial em portugal, afinal de que é que estão a falar?

um bom triangulo

Pensar em ondas de bodyboard é um exercício interessante porque existem pessoas que todos os dias demonstram o quanto o boogie é disfrutado e disfrutável em todos os tipos de condições. No entanto é indesmentível que existem tipos de ondas que pelo (mais)prazer que concedem são reconhecidas por todos nós como "ondas para bodyboard". Independentemente do tamanho, uma onda assim é uma onda cavada, buraco, triangular, com força, rampas e especialmente tubos. Aquela imagem simbólica do "a-frame", a onda triangular. Compreende-se porque é que os picos preferidos dos bodyboarders são a nazaré, os supertubos ou a pedra branca. Porque são os expoentes deste modelo. Quem já teve o prazer de estar neles, sabe (suspirando) o que "tem" um bom triangulo.

viagem pelos bastidores

"Fourth wave of the day. It was also his last wave of the day. As Chad (Jackson) was towed back into the lineup after his bomb another lump entered the arena. With no one else in position, brad swung round and set about getting chad one as good as his last. The ride was nearly over, but the wave wasn't done with chad just yet, clipping him at the end and it sent him down, way down. Chad describes the waterly depths as, "a black hole, seriously a bottomless pit. I opened my eyes and could just see bubbles and darkness." On the surface brad was watching the board tombstone as he searched for any sign of chad. Eventually the man climbed his leash back to the surface, tapping out for the rest of the session. Without hesitation, chad thinks that if his leash snapped he would have drowned, unable to find the surface in the inky blackness, swimming until consciousness disappeared."

o fim da estação

O fim da estação faz-se nestes dias abafados, sem vento e parados como interlúdios do clima que esteve e o que vem aí. O fim da estação faz-se sobre o som do trovões como tambores que anunciam outros dias, novos dias, diferentes. Tal como as festas que agora terminam existem outras dimensões lúdicas que se perdem, e outras.. (o que a maioria das pessoas não sabe), ganham-se.

Agora esta peça pequena e tristemente bela de vergílio Ferreira que encontrei algures pela blogosfera:

«Agora a praia está deserta. Os últimos banhistas subiram a longa escadaria, desapareceram há dias atrás da falésia. E estranha, uma melancolia cresce como erva, deixa um rasto nas coisas. Memória do que morreu, subtil, do que vibrou - e a indiferença da terra, da luz. Do mar. Ou talvez que tudo nasça da certeza do meu fim. (...) Ao longo da praia o mar bate na areia em breves ondas de espuma. É um mar de brinquedo e as crianças sabem-no. Metem-se com ele como com um cão velho, ele deixa - de quando estou a falar? Os últimos banhistas desapareceram atrás das arribas, agora estou só. (...) Depois, o silêncio a toda a extensão da areia, alguns bancos, a estacaria dos toldos ao sol, é o fim da estação.»

novos voos

Este fim de semana é o campeonato europeu em peniche. Ao contrario das previsões catastrofistas o mar terá bastante boas condições, apenas não será supertubos. Afinal mais de 1.5m com força e vento offshore no baleal ou mesmo nos belgas não é todos os dias. A peninsula de peniche pela sua configuaração geográfica permite bem mais do que uma opção apesar das atenções estarem invariavelmente viradas para a praia de supertubos.

Isto leva-me ao proximo paragrafo que é exactamente o de ter andado a pensar onde seria o melhor sítio para acolher uma etapa do mundial em Portugal fora das etapas de verão. A resposta é mesmo essa, em Peniche. Portugal ao contrário de outros países não possui um padrão de ventos constante e a ondulação varia também bastante, dependendo das tempestades vindas da irlanda ou do oeste atlântico. Fazer uma etapa em arica, na indonésia ou em puerto escondido, é bastante fácil e previsível. Os ventos são quase sempre iguais, e as ondulações constantes e consistentes. Em Portugal o caso muda de figura, se temos de lidar com ventos imprevisíveis a única arma é existirem vários trechos de costa com orientações diferentes. O mesmo se aplica ao swell.

Muitas pessoas dirão que a Ericeira ou a Nazaré seriam hipoteses infinitamente mais excitantes, e eu até concordo, mas Peniche é a localização mais consistente que temos em Portugal sem ter que recorrer ao incrívelmente complicado "período de espera". Lembro que o penúltimo special edition teve um periodo de espera de mais de um mês para ter as condições correctas. O facto de ser um campeonato "de inverno" também abona a favor de peniche por ser uma cidade vocacionada para o túrismo de ondas "all year round", algo impossível por assim dizer de concretizar noutros sítios em que o inverno torna as condições de mar realmente pouco convidadoras e por consequência as probabilidades de financiamento de um evento de praia também mais infimas.

O único problema é mesmo o peso subdimensionado que o bodyboard tem em Peniche. Acredito mesmo que a única razão de existir este europeu seja a de que o campeão em título seja local da terra. Um dado revelador é de que a loja de bodyboard com mais peso em Peniche.. não se encontra em Peniche. É a surfoz nas caldas da raínha. À semelhança da Ericeira, também em Peniche se encontram forças de bloqueio e a competição pelo mercado (pelo mercado dos patrocinios também) é mais feroz. Repetindo o que disse anteriormente acho que faz todo o sentido que haja uma etapa que reconcilie os portugueses e os europeus em geral com o circuíto mundial. Uma etapa á imagem do mundial de surfe em mundaka. Supertubos tem também um peso enorme no meio mundial do bodyboard. E ao contrário de Mundaka, está rodeado de dezenas de alternativas para todas as condições. Esperemos que este europeu seja um sucesso absoluto. Para que desperte novos voos.

fotografo de bodyboard

fotografo de bodyboard é um epipeto simpático e que encaixa que nem uma luva a miguel nunes, um nome cada vez mais presente na vert e não só. Ele tem um site renovado para ver aqui.

espirito de classe

o surfe é um desporto complicado em termos de portabilidade de material. Pranchas de cristal vista alegre, quivers complicadíssimos cada um maior que outro e a necessidade de encaixar estas premissas nos quase sempre exíguos meios de transporte, seja ele qual for. Agora corre uma petição para que todos os clientes das companhias aéreas paguem aos surfistas a sobredimensionação de bagagem e os constantes pedidos de indemnização por danos ao material. Quem concordar pode assinar aqui.

boogie


coisas que na disco nos deixam a sorrir e mais ninguém percebe

"acham mesmo que o standup pode ser uma vertente do bodyboard..."

...Mostrem la pessoal a ripar de standup numa bodyboard a sério LOL!

como se pode ver pelo individuo dropinador que não mexeu um dedo do pé durante toda a onda ripar é coisa de modalidades mais evoluídas.

Já agora, o standup é uma modalidade que pouco me diz, mas se há coisa que não pode ser acusada é de falta de plasticidade. A dinâmica que permite é algo que tem de ser apreciável por qualquer surfista. Só por dúvida, há alguém em Portugal que faça standup?

variadas interpretações

No computo geral não há diferenças entre andar com uma alaia e andar com um bodyboard. Deitado, de joelhos ou de pé, 3 formas distintas de percorrer uma onda na mesma prancha. Mesmo andar em pé numa alaia (vêr o vídeo) tem uma natureza e performance absurdamente parecidos com o standup em bodyboard.

Os boogies são indubitávelmente a transformação tecnológica do espírito que subsistia em cada uma destas pranchas da madrugada do surfing. Mal sabem, esta irmandade da madeira, que o que fazem é reconstruir um mundo que já existe no bodyboard e no paipo há dezenas de anos. Infelizmente o conceito alaia tornou-se em parte um subproduto do surfe com todo o discurso e divagação que caracterizam os trends.

Como o bodyboard(prone) moderno (tal como o surfe) distancia-se do arcaico pela sua especialização numa determinada vertente. A diferença é que andar em pé é tão específico que as pranchas transformaram-se irremediavelmente num objecto monolitico em que apenas é possível ser utilizado de uma pré determinada forma. Pelo contrário, o bodyboard apesar da massificação do prone que como diz e bem o mr charles permitiu definir os limites do explorável numa onda, continua a ser um objecto aberto as mais variadas interpretações. Os especiais que a riptide e a movement, as duas maiores revistas do mundo, consagraram ao dropknee são bem exemplificativos da multi-dimensionalidade do bodyboard. O dropknee nada tem a ver com o bodyboard(prone), e o standup é completamente diferente de tudo, incluíndo o shortboard.

Se o paradigma da performance numa onda é hoje em dia ditado pelo boogie, isso não implica que se retire daí uma conclusão imperativa. Antes pelo contrário, a performance nada tem a ver com a espuma dos dias e andar numa onda é uma expressão heterogenea apesar de todas as tentativas para impôr um modelo único de prancha ao mundo(o shortboard).

graus de dificuldade


A quem interessar a dificuldade, o stand up em bodyboard é a forma mais difícil de andar numa onda entre todos os desportos aquáticos.

periodo de espera

O período de espera nos campeonatos é uma mais valia que pode ser acrescentada à competição hoje em dia mas que foi concebido numa época muito particular. Foi criada na altura (não muito longe) de quando as viagens tinham um planeamento alargado com a esperança razoável de garantir pelo menos alguma sessão clássica em determinado pico. Foi assim com as minhas primeiras viagens a peniche e era assim com os primeiros campeonatos do mundo como o de pipeline.

Hoje em dia com as novas tecnologias e a previsão detalhada por internet este processo torna-se algo anacrónico e mesmo desactualizado. Nas viagens o modelo antigo foi quase completamente substituído por um novo, o da viagem planeada em função da previsão, muitas vezes com durações curtíssimas.

Actualmente e como se conseguem previsões bastante fiáveis até 15 dias, existem periodos de espera que se transformam num penoso ritual que se tem de cumprir mesmo quando se sabe antecipadamente que os resultados serão nulos, ou com a noção que 100km ao lado está absolutamente clássico. É o caso por exemplo de sharkisland que mesmo com periodos de espera de um mês não consegue garantir por vezes melhor do que meio metro ranhoso. Poderiamos aplicar a mesma exemplificaçao em portugal: se há periodos onde chega a estar flat por 3 semanas, outros há em que a ondulação não para de bombar perfeita dia apos dia. (vejam este setembro), logo há alturas em que campeonatos com mais de 2 semanas de espera redundariam em nada e outros que em 2 dias seriam um absoluto sucesso. O essencial é então saber quando.

O periodo de espera era há uns anos atrás a melhor ferramenta para garantir a realização de um evento nas melhores condições. Hoje foi substituída pela previsão exacta, mas no entanto esta ainda não é utilizada (com efeitos prácticos) em competição. A única vez em que podemos falar da previsão ter um impacto real nos campeonatos é quando confirma a impossibilidade de se realizar o evento dentro do periodo de espera. Aí e por razoes de racionalidade o campeonato é anulado.

Vem isto a propósito da perna europeia do circuito mundial. Há quem defenda que as provas como a de sintra deveriam ter um periodo de espera mais alargado. Eu considero isso totalmente contraproducente e dispensioso. Tendo os atletas mundiais disponiveis durante um mês na europa não se poderia alargar este conceito de "periodo de espera" às 3 etapas(sopelana/sintra/ferrol) em conjunto trabalhando-o conforme as 3 opções? isto é, nesse mês da perna europeia, não se poderiam ter os 3 campeonatos em standby e ir realizando-os conforme as previsões reais?

Novas realidades implicam novos modelos. e novas ferramentas novas maneiras de actuar. As possibilidades que a previsão abre ainda nao foram usadas ou sequer perspectivadas no nosso país. Por estarmos arreigadamente agarrados a um modelo clássico muita gente ainda nao consegue vislumbrar as oportunidades que campeonatos mais móveis podem abrir tanto para atletas como patrocinadores.

de volta à forma

O campeão do público

Em todas as competições existem dois tipos de avaliação. A que é dada pelas regras do jogo e o aval do público propriamente dito. A primeira é puramente mecânica, constituída por avaliações o mais objectivistas possíveis, os júris, os pontos, a pontuação por manobra e por evento. A segunda é mais subjectiva e emocional, está directamente ligada a correntes de opinião, a pormenores, a performances dificeis de contabilizar pela maneira convencional. Enquanto que a primeira avaliação é o que dita todo o jogo no fundo, a segunda é mais dificil de controlar por envolver aspectos que vão para além do simples treino e conhecimento das regras. Por vezes estas avaliações coicidem, geralmente nos anos em que a competição mais se legitima, ganha mais interesse e as críticas esfumam-se numa consensualidade aparente. Mas outros anos, e há muitos, quem termina a frente do ranking pode não estar a frente das preferências do público. Pode não ser o mais acarinhado ou sequer considerado o melhor atleta. Estas vitórias digam-se em abono do vencedor, são também batalhas de vontade, contra a corrente.

Este é um desses anos e penso que ainda vamos ouvir falar muito do circuíto se Uri valadão acabar em 1º como tudo indica que sim. O obvio preferido do público é outro, australiano e o campeão em título. Em todos os eventos rouba o protagonismo a todos os outros, mesmo que se dê mal. É sem sombra de dúvidas o aussie mais completo, tem um estilo consensual e é esforçado nas competições. O título este ano caia-lhe que nem uma luva, mas isso, não somos nós que decidimos.

ondas de verão na europa


No Doninos pro houve de tudo, adiamento de rondas, antecipação de rondas e mudança de local, sempre atrás das melhores ondas. Para o ano este evento deverá estar confirmadíssimo.

outras vitórias

"fisicamente sinto-me bastante bem e sinto que estou a evoluir e a melhorar em alguns aspectos, assim, irei continuar nas competições por mais algum tempo. Desejo apenas poder continuar a fazer o que tenho feito até agora. E poder desfrutar da vida."

Quem tem visto mike surfar em condições miseráveis como em sintra sabe como isto é verdade. Como ele continua a desenhar linhas com todo o estilo que sempre o caracterízou e possui uma forma física de um jovem. Só possivel a quem olha a vida com a motivação que ele possui. As vitórias, talvez ele tenha consciência disso, continuam. É o maior campeão de sempre.

PS: momento edite estrela. Pensava eu que o mais correcto seria dizer disfrutar ao invés de desfrutar. Cheguei a fazer pedantemente a correcção mas afinal parece que não é bem assim..

persistir

Guilherme tamega está a um passo de concretizar a sua quadratura do circulo. Ignoro se ele o conseguirá mas o que já conquistou este ano é significativo por si só. Recordemos que ele corre um circuíto deste ano como qualifier, ou seja sem seeding do circuíto mundial do ano passado onde não participou. Guilherme vem há muito a percorrer uma travessia no deserto, depois dos dois títulos dos inícios do supertour. Penso que esta vitória no sintra é até mais significativa do que de arica. Nunca ninguém duvidou que ele era ainda um dos melhores em ondas com tamanho, as finais em pipe ou as vitórias em sharkisland demonstravam isso mesmo, mas em ondas pequenas o seu domínio havia decaído há muito, ultrapassado pela sempre agressiva nova geração brasileira desde o 1º título mundial de Paulo Barcelos. No faccioso circuíto americano era consecutivamente relegado por jeff hubbard.
Mas acima de tudo para mim estas vitórias de gt e a sua mais que oficial candidatura ao título deste ano significam a vitória da persistência. Com detractores em todo o mundo e até no seu próprio país, os últimos anos sem reais triunfos desportivos, guilherme teve de acreditar mais do que ninguém em si próprio. Teve de manter a força mental de atravessar as tormentas certo que sua hora viria. Existem vários campeões que não aguentam essa desmotivação e outros que perdem de vista objectivos ou desviam-se para outros. Todos os campeões passam por estes periodos e nem o maior talento do mundo estará a salvo disso se deseja uma carreira. Há um bodyboarder português que correu o circuíto deste ano sem sucesso que espero que consiga entender isso, o Rui Ferreira. Quantos atletas conseguem manter o foco ano após ano sem resultados ou estimulos que os conduzam a isso. Muitos poucos, é uma raridade reservada só mesmo aos maiores campeões.