design
isto parece-me tão ridículo e inesquecível que tem todos os condimentos para se tornar moda nos proximos tempos.
ambientalistas pret a porter
Parece que esta semana esta semana é época festiva, e não pela razão mais obvia que estão a pensar mas porque se "salvou a onda de trestles"! Salvou-se? pensei eu, quando li a notícia, mas iam construir um molhe mesmo a meio do pico? cimentar a praia e fazer esplanadas gigantes? Uma marina para barcos fantasmas? Ou mais um porto de pesca sem funcionalidade? Não, afinal e muito para surpresa da minha lusa imaginação, não era nenhuma habilidade à português, os reis da grua, em especial a sub-espécie madeirense, os "bolas de ouro" do camartelo e do betão. Era porque ia passar uma autoestrada ligeiramente perto do pico! Ahhh pensei eu, que maravilha, mas estes americanos são mesmo um povo evoluído, o cúmulo do homo sapiens, o orgulho de darwin, a pérola da evolução! Só que mais uma vez havia a realidade de me frustrar, afinal, naquele país também se arrasam reservas naturais, fecham-se praias quando chove por causa da poluíção, e quebram-se dia sim dia não protocolos de Quioto. Afinal meus amigos, a grande razão pela qual se lutou tão encarniçadamente e invocando sacro-argumentos como o "espírito da natureza", o "frágil equilíbrio do ecossistema", ou até "as tradições índias no local"(este não pudemos nós importar), afinal o motivo por causa de tanto escarceu é que a dita estrada iria trazer mais crowd aos picos circundantes.
balanço V
O que é que confere valor simbólico a um campeonato? Não é o espectáculo, não é o mediatismo, é o reconhecimento dos intervenientes. Se os melhores bodyboarders nacionais confessassem publicamente ser o seu sonho ganhar o intersócios da caparica, este ganhava o valor que lhe era conferido pela autoridade de quem o desejava. Independentemente da sua qualidade intrínseca. No inicio do ano o circuíto mundial foi sobrevalorizado imprudentemente. Numa típica manobra "à benfica" alguns melhores tentaram chamar a si a importância que não necessitavam ao assumir-se campeões aprioristicos. No fim roubaram-lhes o rebuçado. Agora, feitas as contas, fazem o caminho inverso. O tour para o ano terá uma cotação mais baixa que este.
balanço IV
Existem 3 ou 4 bodyboarders no mundo que ganham um salário fixo. Pagam-lhes porque são admirados e respeitados pelo que fazem em cima de um bodyboard. Preenchem as revistas, tem pro-models, fazem filmes, são idolos de muitos. A sua vida é passada a viajar em busca das melhores ondas, não raramente em paraísos tropicais. As pessoas reconhecem-nos como os melhores do mundo. São free surfers e pouco ou nenhum ganharam com a competição. Estão acima dela. Isto é bodyboard.
balanços III
Algumas pessoas ficaram ensiesmadas com a vitória de Uri valadao como campeão do mundo. Pergunto-me eu o que é que ele atingiu para tanta celeuma, será que está sequer remotamente perto de "melhor do mundo"? Nunca teve uma marca que o apoiasse financeiramente e em todas as suas viagens conta ganhar suficiente prize-money para conseguir dinheiro para o proximo campeonato. Os seus dias são passados a treinar arduamente em meio metro na Bahia onde reside e estuda. Ultimamente ganhou uma taça para o quarto e o ressentimento de todo o mundo por ter a veleidade da vitória. O que roubou ele a outrém que não merecesse? Continua com a mesma rotina, as cicatrizes de alguns ombros deslocados e os mesmos autocolantes na prancha. Há quem mesmo assim ache tudo isto(o titulo) uma injustiça quando tudo o que ele fez foi ganhar um jogo que não inventou.
balançoII
o momento em que uri valadão não acredita que tinha ganho enquanto toda a gente celebrava atrás dele foi a imagem mais bonita do circuíto deste ano.
o queixume
Parece que já houveram algumas reacções negativas à noticía da etapa do mundial em Viana. Se fossem os surfistas locais, a quem lhes foi retirada a oportunidade de terem um campeonato do seu desporto e verem os seus herois in loco. Se fossem os canoístas, os velejadores, os ciclistas, os corredores, os futebolistas, os andebolistas e toda uma míriade de desportos praticados em viana e que viram as suas chances de promoção e reconhecimento preteridas em detrimento do bodyboard. Se fossem os locais mais afincados, que vão ter a sua praia vedada durante dois dias. Se fosse o contribuínte comum de Viana, que vê verbas do municipio serem desviadas para assuntos que pode considerar de segunda importância..
Mas não, foram bodyboarders. De que se queixam os bodyboarders?
Mas não, foram bodyboarders. De que se queixam os bodyboarders?
balanços
O bodyboard é em muitos aspectos um desporto especial. Uma das caracteristicas próprias que possui é ter uma dicotomia free-surf/competição muito marcada. Num forum conhecido a maior parte dos australianos confessava desconhecer o campeão mundial deste ano, mesmo sendo seguidores do circuíto. Impossível? Nem tanto, para eles, o tour só tem interesse pelas vitórias dos conterrâneos e a atenção dispendida aos campeonatos era apenas para aferir de como é que "ia correndo" aos seus preferidos, quase sempre contra uma mole cinzenta e indistinta de adversários que perderiam no final.
uma vez por outra

"Envelheces com os ossos que envelhecem. Envelheces
sem querer. Por ti serias eternamente jovem, adolescente,
e percorrerias as estradas das serras, as florestas,
não para viveres sempre, mas para estares vivo
mais um instante, porque o espectáculo é belo
uma vez por outra."
"os dias de glória" Francisco José Viegas
localismo VII
deveres do local: nenhum
direitos do local: apanhar mais ondas que "os outros".
Isto assim posto parece-me fácil demais. Não há nenhum trabalhito comunitário que se possa entregar a estes eleitos? E eu que pensava que o tempo da nobreza, dos condes e dos senhores já tinha terminado. Com tanta vassalagem não há nada menos egoísta que se lhes ocorra? Verdade seja dita no dia em que chegar à praia e vir alguém a apanhar lixo juro que lhe dou todas as ondas que ele quiser.
direitos do local: apanhar mais ondas que "os outros".
Isto assim posto parece-me fácil demais. Não há nenhum trabalhito comunitário que se possa entregar a estes eleitos? E eu que pensava que o tempo da nobreza, dos condes e dos senhores já tinha terminado. Com tanta vassalagem não há nada menos egoísta que se lhes ocorra? Verdade seja dita no dia em que chegar à praia e vir alguém a apanhar lixo juro que lhe dou todas as ondas que ele quiser.
sintra-peniche-viana
há uns meses atrás vaticinava que a melhor opção para uma etapa do circuíto mundial era a península de Peniche. Nunca esperaría que tal proposta fosse opção já para o próximo ano, mas foi. Teremos uma oportunidade muito digna de oferecer uma imagem do melhor(com uma pitada de sorte) que se pode fazer por cá.
Agora surge a noticia de que viana do castelo, a primeira praia no mundo a realizar uma etapa do circuíto mundial vai novamente acolher uma prova. Como dizia Pedro homem de melo "havemos de ir a viana" e de viana, esta praia mítica do litoral norte lusitano, há muito que era esperada uma boa desculpa para reve-la. Lá estaremos.
Ao todo serão 3 etapas em solo Português que formarão uma espécie de triple crown do bodyboard num único país. É a primeira vez que isso vai acontecer no circuíto mundial. Mas coisas inéditas e bodyboard não é novidade entre nós.
Agora surge a noticia de que viana do castelo, a primeira praia no mundo a realizar uma etapa do circuíto mundial vai novamente acolher uma prova. Como dizia Pedro homem de melo "havemos de ir a viana" e de viana, esta praia mítica do litoral norte lusitano, há muito que era esperada uma boa desculpa para reve-la. Lá estaremos.
Ao todo serão 3 etapas em solo Português que formarão uma espécie de triple crown do bodyboard num único país. É a primeira vez que isso vai acontecer no circuíto mundial. Mas coisas inéditas e bodyboard não é novidade entre nós.
localismo VI (os políticos do mar)
Privilégio (do latim do privilegiu) é uma vantagem, ou direito exclusivo concedido a alguém com exceção de outros. Pode ser um dom natural, uma imunidade, ou uma prerrogativa.
No meio politico alguns parlamentares gozam desse direito. Nesse caso se dá o nome de imunidade parlamentar e dependendo do lado (direita ou esquerda) pode ser diferenciada.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Privil%C3%A9gio"
No meio politico alguns parlamentares gozam desse direito. Nesse caso se dá o nome de imunidade parlamentar e dependendo do lado (direita ou esquerda) pode ser diferenciada.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Privil%C3%A9gio"
localismo V
Outro critério para alguém ser considerado "local" é a sua assiduidade em determinado sítio. Assim se alguém estiver mais vezes presente que todos os outros numa onda boa(e por isso surfa-la mais vezes), ganha o direito de prioridade perante os que estão menos vezes(e assim a comparativamente surfa-la ainda mais vezes).
O facto de alguém estar mais vezes que os outros numa onda boa não é considerado um privilégio, mas sim uma espécie de "sacrifício" a ser recompensado.
O facto de alguém estar mais vezes que os outros numa onda boa não é considerado um privilégio, mas sim uma espécie de "sacrifício" a ser recompensado.
localismo IV
Os critérios para atribuição do estatuto de "local" ou "não-local" têm sempre de ser exógenos e mensuráveis. Ninguém pode simplesmente argumentar que "gosta mais" da onda que outrém. Assim como não é possivel medir o grau de afecto que uma pessoa tem por determinada onda é usado a simples morada de residência.
localismo III
A grande diferença estrutural entre o local e o não-local é que o primeiro surfa a onda mais vezes e ainda gasta menos gasolina.
localismo II
O localismo é bastante fácil de compreender. Existe na falta de uma ética cívica presente em todos os que frequentam as ondas. Quando não existe ética e a lei não se aplica vigora então a lei da quadrilha e do mais forte.
O desejo de propriedade só nasce quando existe um objecto suficientemente apetecível para o provocar. Por exemplo, o último pedaço de terra a ser disputado foi a antarctica. Por nada ter de apetecível (até agora). O localismo partilha do mesmo processo. Onde as ondas forem melhores é onde haverá o maior localismo. Se as ondas não prestarem não haverá localismo. Se construírem um reef artificial numa zona mediocre de ondas aparecerá aí o localismo.
Tomemos por exemplo paradigmático a costa da caparica. A única onda realmente boa da zona é a cova do vapor. É lá que se encontra concentrado o maior localismo. Segundo ouvi dizer ameaças, agressões e danos materiais não são inéditos. O fim único destas acções é para que alguns indivíduos apanhem mais ondas do que outros nesse pico.
Para algumas pessoas e já que certas barreiras e constragimentos éticos foram ultrapassadas, deixarem de ser localistas por simples pedagogia não me parece crível. A única maneira de diminuir o fenómeno do localismo na zona seria haverem mais picos como a cova do vapor.
É aqui que reside o interessante da questão. Com tanto foco ultimamente na reconversão das praias e na sua usabilidade para os desportos de ondas, replicar "covas do vapor" por toda a costa usando os esporões já existentes parece-me uma ideia mais do exequível.
O angulo, a configuração e as profundidades estão lá perfeitamente acessíveis para serem estudadas por engenheiros e "transferidas" para outras praias como solução última para tornar a caparica num éden de ondas perfeitas para o bodyboard.
O desejo de propriedade só nasce quando existe um objecto suficientemente apetecível para o provocar. Por exemplo, o último pedaço de terra a ser disputado foi a antarctica. Por nada ter de apetecível (até agora). O localismo partilha do mesmo processo. Onde as ondas forem melhores é onde haverá o maior localismo. Se as ondas não prestarem não haverá localismo. Se construírem um reef artificial numa zona mediocre de ondas aparecerá aí o localismo.
Tomemos por exemplo paradigmático a costa da caparica. A única onda realmente boa da zona é a cova do vapor. É lá que se encontra concentrado o maior localismo. Segundo ouvi dizer ameaças, agressões e danos materiais não são inéditos. O fim único destas acções é para que alguns indivíduos apanhem mais ondas do que outros nesse pico.
Para algumas pessoas e já que certas barreiras e constragimentos éticos foram ultrapassadas, deixarem de ser localistas por simples pedagogia não me parece crível. A única maneira de diminuir o fenómeno do localismo na zona seria haverem mais picos como a cova do vapor.
É aqui que reside o interessante da questão. Com tanto foco ultimamente na reconversão das praias e na sua usabilidade para os desportos de ondas, replicar "covas do vapor" por toda a costa usando os esporões já existentes parece-me uma ideia mais do exequível.
O angulo, a configuração e as profundidades estão lá perfeitamente acessíveis para serem estudadas por engenheiros e "transferidas" para outras praias como solução última para tornar a caparica num éden de ondas perfeitas para o bodyboard.
localismo |
O localismo é um dos aspectos mais vergonhosos da nossa subcultura das ondas. Especialmente no bodyboard existem casos bem documentados e conhecidos da comunidade que seguem impunes sem qualquer tipo de critica ou recriminação. Na verdade existe mesmo uma espécie de condescendência com este tipo de comportamento. Há um género de respeitabilidade (podre)por tais actos estarem conotados com outras propriedades bem mais dignas como a antiguidade, o currículo ou o estatuto. O cúmulo da hipocrisia vem com o paradoxo de a pessoas bem localistas na sua terra ser dado voz de falarem sobre as virtudes das viagens, do relax de outras paragens etc sem nunca lhes ser apontada a contradição.
Já tenho denuciado aqui no blogue alguns casos por convicção o que me tem valido muitas e variadas críticas e até mesmo bruta agressividade. No geral cobre-se um silêncio ensurdecedor sobre o caso. A explicação só pode ser porque as pessoas de direito querem estar bem com toda a gente, muitas vezes com exercícios de elasticidade bem demonstrativos. Perdemos consecutivamente oportunidades de evoluírmos como seres humanos e racionais em favor do interesse pessoal e da omissão. A cultura portuguêsa do "respeitinho" continua a fazer escola.
Já tenho denuciado aqui no blogue alguns casos por convicção o que me tem valido muitas e variadas críticas e até mesmo bruta agressividade. No geral cobre-se um silêncio ensurdecedor sobre o caso. A explicação só pode ser porque as pessoas de direito querem estar bem com toda a gente, muitas vezes com exercícios de elasticidade bem demonstrativos. Perdemos consecutivamente oportunidades de evoluírmos como seres humanos e racionais em favor do interesse pessoal e da omissão. A cultura portuguêsa do "respeitinho" continua a fazer escola.
2 portugueses nas meias
Pois é, silvano e pinheirinho nas meias finais da última etapa do campeonato do mundo. Se Uri chega á final é campeão, Ben resiste até ao final, o resto são equações e eu faltei a essas aulas.
*mike stewart também nas meias, depois de ter afirmado em entrevista que se sentia " a surfar melhor do que nunca"
*mike stewart também nas meias, depois de ter afirmado em entrevista que se sentia " a surfar melhor do que nunca"
botha
André Botha é o campeão do mundo mais novo de sempre. Com apenas 17 anos ele foi coroado na última etapa de pipeline cumprindo uma profecia que lhe foi destinada aquando da sua primeira viagem ao Hawaii aos 15 anos. No ano seguinte com 18 anos, conseguiria o bi-campeonato mundial. Não sei se algum dia será possível alguém repetir o feito do jovem andré. Muito menos com a autoridade com que o fez, selando o título na rainha das ondas. Lembro-me da foto do podium nesse ano, com Ben Holland e Steve Mckenzie também finalistas, a festejarem efusivamente. Eles sabiam que estavam também a testemunhar um momento único na história do desporto. Como atleta o nível de performance que atingiu com essa idade em picos como pipeline, waimea shorebreak ou teahupoo era realmente impressionante. Botha acima de tudo era um tuberider, um dos melhores de sempre.Uns anos mais tarde e já a viver nos estados unidos botha caiu num negro fado de drogas, festas e jogo perdendo totalmente o foco do bodyboard, da carreira e da propria vida. Pobre andre apesar de tudo era apenas humano e talvez tenha sucumbido à pressão, ou à tentação.
O retorno foi sempre timido e adiado, mas nunca ninguém esqueceu o mito e a personagem que andre representou para o boogie. Parece que nos ultimos dias apareceu em las palmas para disputar a última etapa no confital. Mas uma sessão em fronton longe de clássico - a sua primeira - segundo as palavras de Jeff Hubbard "muito pesado" e com toda a gente a assistir na falésia, deixou-o magoado e dorido para o campeonato onde perdeu de primeira. A seguir parte para o Hawaii mais uma vez, onde tem voltado todos os anos. Talvez para reviver.
novas definições de "lavagem cerebral"
-ter uma opinião*
-publica-la num blogue(sitio onde se publicam opiniões)
*contrária
-publica-la num blogue(sitio onde se publicam opiniões)
*contrária
Por vezes pergunto-me como é que existem bodyboarders que adoram o boogie e praticam-no com coraçao mas preferem seguir mediaticamente outros desportos. A transmissão de merda e completamente irritante do confital responde-me parcialmente à questão.
o soul e não soul
Corre por aí uma certa ideia peregrina de que o soul e o comercial são antagónicos. Que existe um número muito limitado de pessoas que tem a real percepção do que é o bodyboard em contraste com o restante, que são induzidos no desporto por ideias pré-concebidas com o intuíto comercial de fazer o desporto crescer. A ingenuidade mais profunda nasce sempre onde mais se espera: na ortodoxia. Os últimos anos de formalização desportiva do acto de andar em cima de uma onda fizeram muito boa gente esquecer qual é a ideia mais poderosa por trás do crescimento dos desportos ditos "de ondas". Não há neste pequeno mundo ideia mais explorada, mais cliché do que o do "soul surfer".
Se houve alguma razão para a explosão no desporto, se houve algum factor que contribuisse que o surfing crescesse ou ganhasse preponderância perante outros desportos foi exactamente a ideia do "soul". É um conceito praticamente irresistivel e o que atraí mais pessoas para as ondas do que outra coisa qualquer. E mais "vendável" que qualquer outro.
De que nos fala o único cronista profissionalizado de surfe no nosso país - gonçalo cadilhe - com milhares de exemplares vendidos por cada edição? Tem livros com textos da surf portugal à venda em qualquer estação de serviço na autoestrada. Será que é de competição que nos fala? de patrocínios? de estatuto social, de modas ou de marcas? De que nos fala o filme de ondas mais famoso em todo o mundo, o endless summer, que podemos encontrar em qualquer video-clube em qualquer país, com ou sem mar? Já agora o surfista-cantor mais famoso de todo o mundo? toca ele o thrill da competição com riffs de guitara rasgados? Ou o blog mais famoso da comunidade? Mais do que tudo é esta a ideia, a legitimação. É isto que faz cada vez mais pessoas quererem andar nas ondas.
Vejamos por exemplo o caso do bodyboard há 9 anos para cá. Com o circuíto mundial de rastos e a competição com um prestígio miserável o desporto floresceu mais nos últimos anos do que no resto da sua história. Venderam-se mais pranchas, criaram-se mais marcas o desporto cresceu como já não se via há muito. Enquanto isso a maioria dos profissionais só eram de nome, toda a gente se afirmava como free-surfer. Revistas de surfe escreviam artigos em que afirmavam que o soul se tinha mudado para o boogie, os idolos eram mais puristas, o nível aumentou. Tudo corria pelo melhor com a decadência da competição e a hecatombe dos patrocinios.
Enquanto se nos ultimos anos, houve um cambio de atenção focado na competição e no arquétipo do surfista-desportista, não nos podemos esquecer que é apenas uma ideia conjuntural do surfing. Nem melhor nem pior. Se o desporto ou a indústria estão agarrados a qualquer noção primordial do que é o desporto essa é o soulsurf e para lá retornarão avidamente assim que o entenderem ou lhes for mais proveitoso. O "retro", a mania da descoberta de ondas, as marcas ecologicamente respeitáveis e até o paddle-surf são pequenos sintomas dessa mudança.
Tom curren insurgia-se há uns anos para esta dualidade declarando que a forma mais honesta de se fazer dinheiro com o surfe é competindo. Ele, que era pago apenas para tirar fotos. Quem recusaria isso? No entanto o que ele denunciava não era o comércio, era a hipocrisia da teoria da superioridade. Quando constatou que um emprego é um emprego e que as obrigações lhe retiravam tanto o prazer de free-surfar como de competir entendeu isso. Há pessoas que fazem ambos apenas por gosto e quem somos nós para medir o prazer dos outros? Ou para dizer-lhes como se divertirem? O campeonato mais pernicioso, e isso curren entendeu bem, é o da alma.
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