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na cova da serpente I
O bruno lai debruçou-se sobre um post meu naquilo que considera ser uma teoria da conspiração excessiva. Ele apresenta alguns dados nomeadamente que o factor lucro é o maior determinante em qualquer agenda empresarial. Apetece-me apenas deixar uma interrogação, porque é que as citadas marcas não tem a mesma política de promoção para o bodyboard, (mesmo em termos muito mais infimos admito) do que para outras modalidades? E aqui não incluo apenas o surfe. Os websites das respectivas estão à disposição para análise.
tempos que correm
Há uma corrente muito em voga nos dias de hoje que relaciona directamente a essência de um desporto com o embrulho em que ele anda metido. Esta ontologia marketing-empresarial tão característica dos nossos tempos socorre-se de uma linguagem muito própria. Há vencedores e vencidos, guerras de exposição, maximização de potencialidades, apresentação de conteúdos... O consumidor esse é uma espécie de amiba de sofá prostituído que vai atrás daquele que lhe oferece mais, seja isso o "design", a "qualidade de informação" e acima de tudo a "quantidade de informação. E ai do desporto que não conseguir acompanhar este corropio de webcasts, weblogs, fotos e entrevistas em "tempo real". O desporto perfeito(vendávél?) seria portanto aquele que conseguiria dar ao consumidor ele próprio uma satisfação estável e duradoura alicerçada em doses maciças de alienação. O bodyboard, já sabemos em que categoria se insere neste esquema de valores, o que explica bem alguma angústia no ar. No entanto ao pensar nos tempos em que começei a praticar este desporto, em que nem sequer haviam manobras, revistas, nem sequer vídeos ou internet, interrogo-me como conseguíamos nós ter tanta certeza e satisfação no que fazíamos. Ainda mais desconcertante é julgar que tinhamos mais.
hardy
Há algo de extremamente fascinante numa teoria como a do caos: a sua intrínseca imprevisibilidade. Ela recorda-nos que por mais que planeadas sejam as coisas existem variáveis que não poderemos controlar. Ora pensava a billabong no ínicio do ano que ia matar dois coelhos com uma cajadada só. De uma só levada acabava com a carreira (alguém ainda se lembra do andrew lester?) do maior bodyboarder na austrália, como levava a comunidade boogie ao estado de desmoralização permanente para o qual tão afincadamente tem trabalhado o surfwear. Mas não contaram com alguns pormenores, sendo o maior deles o carácter de lutador extraordinário da pessoa em causa, o ryan hardy. Não haveria vingança mais apropriada do que endossar-lhes a sua condição anterior entretanto ultrapassada, a bipolaridade. Ao estado catarsico de resultados de 82 milhões usd em plena crise (apenas em 6 meses) ao mesmo tempo que despediam histrionicamente por "dificuldades financeiras" sucedeu a desilusão de ter um ex-team rider a protagonizar noticias consecutivas como logotipos adversos até ao brilhante resultado em pipe que se conhece. Pode ser mesmo que tenham dado um empurrão ao relançamento de um bodyboarder que tudo merece e algumas marcas que defenderão o bodyboard como puderem. Quem com ferros mata...
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