tow
Este video é paradigmático. O bodyboard nos últimos anos tomou conta do mundo bigsurf e afirmou-se como um veículo com grandes margens de adaptação a ondas cada vez mais difíceis. Incrivelmente o mesmo modelo de bodyboard pode servir tanto para surfar meio metro como as ondas mais gigantes do planeta. O surfe por outro lado quase desapareceu de cena sendo substituído pelo tow in.
Em picos como teahupoo, cyclops ou shipsterns é raro ver alguém fazer surfe de remada em dias grandes e os que o fazem é com limitações evidentes. Já por aqui, na nazaré, ou naquele novo secret a história repetiu-se e como se pode ver pelo video, cada vez mais são surfados dias menores. O tow, paradoxalmente, expôs as limitações do surfe enquanto veículo de correr ondas, mas que já estavam á vista pela necessidade de quivers enormes. Tornou-se quase numa prótese que adiou momentâneamente um fim da historia para o surfe de ondas grandes.
Hoje em dia a discussão ampla no towsurf é não sobre as possibilidades do grande, mas sobre os limites do pequeno. A tentação de superar as dificuldades no surfe só tem equivalente na vontade de desafio do bodyboard. O tow é uma boa muleta e um veículo imprescindível em certos mares (jaws por exemplo), mas o bodyboard pode estar orgulhoso de continuar a redefinir os limites do que a um homem é possível face ao oceano.
Algarve ilustrado
Este postal lembro-me de o ter algures. Afinal onde é que é este banco de areia??? (pensavam que o tinha comprado porquê?)

E que tal este? Venha fazer bodyboard no Algarve com monstros marinhos??

via postal de verão

E que tal este? Venha fazer bodyboard no Algarve com monstros marinhos??

via postal de verão
encontros e desencontros
Concordo em parte com o que diz o Pedro Arruda: o bodyboard e o surfe partilham o mesmo meio, motivaçao e natureza. Algo que faz da escolha de descer uma onda, num ou noutro veículo, uma opção da mesma qualidade. O impulso original é o mesmo, idependentemente da prancha. Já como desporto as coisas sao bem diferentes e chegaram a uma separação irremediável.
O bodyboard, quando da sua génese nos anos 70 partilhou todos os espaços comuns com o surfe, os mesmos picos, as revistas, os campeonatos, os patrocinios e as marcas. Podemos dizer que partilhava totalmente da mesma cultura. A do waterman por excelência, espaço que já detinha quando era paipoboard. Mas a segregação a que foi sujeito e de forma cada vez mais violenta fez com que se criassem não só anticorpos ao proprio surfe mas emergisse uma cultura unicamente bodyboard. O anátema que as marcas de surfe lançaram ao bodyboard só ajudou.
Os insultos que pedro arruda refere ter sido também alvo não tem geração espontânea, foram escritos, reditos e estimulados acabando por se incrustar na propria surfcultura e o surfe acabar sendo o que é: um desporto falsamente tolerante, falsamente heterógeneo. As revistas tiveram e tem uma responsabilidade tácita na reproduçao de questiúnculas, diferendos, secundarização, sarcasmos, ridicularizaçao, e na rivalidade de ralé que existe entre os dois desportos. Perdi a conta porque sou leitor de revistas de surfe, às alusoes idiotas e sublimações da inferioridade do bodyboard. Existe de facto um certo "surfismo" em maior ou menor grau, um conjunto de preconceitos que afectam o estar como surfista. É praticamente tabu para um praticante de surf experimentar as sensações do bodyboard. Pelo contrário quase todos os bodyboarders que conheço experimentaram ou mesmo guardam em casa uma prancha de surfe para os dias certos. Isto porque é um desporto muito mais aberto, onde o ressentimento face ao surfe nao passa de uma simples reacção a injúria. Cá na terra o climax foi o episódio da icineraçao de um bodyboard na onfire, valha-lhes a frontalidade. É tambem esta a formação dos individuos enquanto surfistas e seu comportamento, nalguns casos autênticos sacanas com uma ideologia. Bem sei que é preciso uma má indole para se ser uma má pessoa outras vezes basta um motivo. Mas lá fora chega a ser pior com praias interditas a booguies e tensões bem piores que os nossos brandos costumes e uma distribuição equitativa de praticantes nao permitem. Não vou falar de testemunhos pessoais porque sao pessoais, mas quase toda a gente já testemunhou estas demonstrações de ignorância ao vivo.
A industria do surfe faz o resto pese o vampirismo constante a que sujeitaram o mercado do bodyboard. Após os anos 90 onde todos os profissionais do bodyboard foram despedidos um a um chegou-se a um ponto ridículo em que estas empresas fingem que o bodyboard não existe. Basta ver os sites oficiais das inúmeras marcas de surfwear, onde entre wakeboard, ski, skate, musicos, snowboard etc é vedado o acesso ao desporto que seria mais lógico figurar a seu lado, já que partilha tudo com ele, inclusive a clientela. Se há mensagem mais clara de "nao vos queremos aqui" ou desprezo ao nível mais profundo não a conheço. A indústria do surfe tem sido uma madrasta que muito tem maltratado o bodyboard. Ainda hoje espezinha como pode independentemente do numero de clientes bodyboarders que tem ou nao que tem. É e já disse isto antes, a única indústria que se dá ao luxo do preconceito. Novamente aos anos 90 lembro-me das reivindicaçoes de team riders em que a pretensão era apenas ser tratado em igualdade. No fundo foi sempre essa e continua a ser a pretensão máxima do bodyboard face ao surfe. Ser igual. já a agenda do surfe e as suas multinacionais é claro e unico, tal como Pedro Arruda referiu, de criar uma camada homógenea de praticantes 6'4''. E assim nos despedimos desse mundo. Felizmente.
Na nofriends, a maior marca de bodyboardwear no mundo, tem surfe na pagina de entrada do seu site. Tom Morey o seu inventor continua a tentar descobrir novas formas de andar nas ondas. Sabe bem fazer bodyboard assim.
PS: Pedro não vale a pena ser como a California. Pelo menos a real. A tua tenho a certeza que seria um bom sítio para surfar.
O bodyboard, quando da sua génese nos anos 70 partilhou todos os espaços comuns com o surfe, os mesmos picos, as revistas, os campeonatos, os patrocinios e as marcas. Podemos dizer que partilhava totalmente da mesma cultura. A do waterman por excelência, espaço que já detinha quando era paipoboard. Mas a segregação a que foi sujeito e de forma cada vez mais violenta fez com que se criassem não só anticorpos ao proprio surfe mas emergisse uma cultura unicamente bodyboard. O anátema que as marcas de surfe lançaram ao bodyboard só ajudou.
Os insultos que pedro arruda refere ter sido também alvo não tem geração espontânea, foram escritos, reditos e estimulados acabando por se incrustar na propria surfcultura e o surfe acabar sendo o que é: um desporto falsamente tolerante, falsamente heterógeneo. As revistas tiveram e tem uma responsabilidade tácita na reproduçao de questiúnculas, diferendos, secundarização, sarcasmos, ridicularizaçao, e na rivalidade de ralé que existe entre os dois desportos. Perdi a conta porque sou leitor de revistas de surfe, às alusoes idiotas e sublimações da inferioridade do bodyboard. Existe de facto um certo "surfismo" em maior ou menor grau, um conjunto de preconceitos que afectam o estar como surfista. É praticamente tabu para um praticante de surf experimentar as sensações do bodyboard. Pelo contrário quase todos os bodyboarders que conheço experimentaram ou mesmo guardam em casa uma prancha de surfe para os dias certos. Isto porque é um desporto muito mais aberto, onde o ressentimento face ao surfe nao passa de uma simples reacção a injúria. Cá na terra o climax foi o episódio da icineraçao de um bodyboard na onfire, valha-lhes a frontalidade. É tambem esta a formação dos individuos enquanto surfistas e seu comportamento, nalguns casos autênticos sacanas com uma ideologia. Bem sei que é preciso uma má indole para se ser uma má pessoa outras vezes basta um motivo. Mas lá fora chega a ser pior com praias interditas a booguies e tensões bem piores que os nossos brandos costumes e uma distribuição equitativa de praticantes nao permitem. Não vou falar de testemunhos pessoais porque sao pessoais, mas quase toda a gente já testemunhou estas demonstrações de ignorância ao vivo.
A industria do surfe faz o resto pese o vampirismo constante a que sujeitaram o mercado do bodyboard. Após os anos 90 onde todos os profissionais do bodyboard foram despedidos um a um chegou-se a um ponto ridículo em que estas empresas fingem que o bodyboard não existe. Basta ver os sites oficiais das inúmeras marcas de surfwear, onde entre wakeboard, ski, skate, musicos, snowboard etc é vedado o acesso ao desporto que seria mais lógico figurar a seu lado, já que partilha tudo com ele, inclusive a clientela. Se há mensagem mais clara de "nao vos queremos aqui" ou desprezo ao nível mais profundo não a conheço. A indústria do surfe tem sido uma madrasta que muito tem maltratado o bodyboard. Ainda hoje espezinha como pode independentemente do numero de clientes bodyboarders que tem ou nao que tem. É e já disse isto antes, a única indústria que se dá ao luxo do preconceito. Novamente aos anos 90 lembro-me das reivindicaçoes de team riders em que a pretensão era apenas ser tratado em igualdade. No fundo foi sempre essa e continua a ser a pretensão máxima do bodyboard face ao surfe. Ser igual. já a agenda do surfe e as suas multinacionais é claro e unico, tal como Pedro Arruda referiu, de criar uma camada homógenea de praticantes 6'4''. E assim nos despedimos desse mundo. Felizmente.
Na nofriends, a maior marca de bodyboardwear no mundo, tem surfe na pagina de entrada do seu site. Tom Morey o seu inventor continua a tentar descobrir novas formas de andar nas ondas. Sabe bem fazer bodyboard assim.
PS: Pedro não vale a pena ser como a California. Pelo menos a real. A tua tenho a certeza que seria um bom sítio para surfar.
tesourinhos deprimentes
Quem se lembra, na surf portugal de há uns anos atrás, daquelas entrevistas rápidas tipo questionário onde incluíam uma secção "bodyboard" para que os entrevistados pudessem desbancar á vontade no nosso desporto? Quem tiver partilhe, deve haver verborreia perfeitamente épica.
geração perdida
Quando penso na falta de organização efectiva no bodyboard penso nas primeiras gerações do desporto em portugal, penso nas pessoas que poderiam ter tido uma palavra activa na direcçao do desporto. Quase ninguém resta dessa geração em posições de destaque no desporto, seja em que campo for, ou simplesmente a pensar o desporto, a passar a experiência e cultura aos mais novos. Os que ficaram foi por ingenuidade. A maioria não soube aproveitar a liberdade que era estar num desporto que nasce.
Como qualquer geração sem pontos de referência foi uma geração perdida. Sem rumo, divagante.. autofágica. Perderam-se a reclamar da falta de patrocinios, de apoios, de associações, do nome, da imagem, da nova geração, das manobras, da dificuldade, dos campeonatos, das ondas, a comprar longboards e em desavenças internas.. lutas e políticas, demasiadas opiniões. A desistir da sensação de ver as ondas quebrar as 7 da manha azul ligeiramente penteadas pelo vento leste ou um pôr do sol em ondas de vidro, a agua como oleo cortada pelo rail da prancha e os amigos... ; A desistir, pois como diz o Mario Benedetti não há esquecimento, "é um grande simulacro/ninguém sabe nem pode/(...)abarrotado de fantasmas".
Entretanto na mesma geração do "outro" desporto iam abrindo surfshops, escolas, revistas, distribuições, organizaçoes de eventos... iam-se tornando cada vez mais dessa máquina que se move pelo dinheiro, tornando-se as roldanas e os eixos. Indicaram-lhes o caminho.
Mas o que se perdeu em organização e economia ganhou-se em pureza original. Os que ficaram fizeram-no pela razão certa. O bodyboard continua a ser (independentemente da idade) um bando de miúdos que querem fazer uns tubos.
Como qualquer geração sem pontos de referência foi uma geração perdida. Sem rumo, divagante.. autofágica. Perderam-se a reclamar da falta de patrocinios, de apoios, de associações, do nome, da imagem, da nova geração, das manobras, da dificuldade, dos campeonatos, das ondas, a comprar longboards e em desavenças internas.. lutas e políticas, demasiadas opiniões. A desistir da sensação de ver as ondas quebrar as 7 da manha azul ligeiramente penteadas pelo vento leste ou um pôr do sol em ondas de vidro, a agua como oleo cortada pelo rail da prancha e os amigos... ; A desistir, pois como diz o Mario Benedetti não há esquecimento, "é um grande simulacro/ninguém sabe nem pode/(...)abarrotado de fantasmas".
Entretanto na mesma geração do "outro" desporto iam abrindo surfshops, escolas, revistas, distribuições, organizaçoes de eventos... iam-se tornando cada vez mais dessa máquina que se move pelo dinheiro, tornando-se as roldanas e os eixos. Indicaram-lhes o caminho.
Mas o que se perdeu em organização e economia ganhou-se em pureza original. Os que ficaram fizeram-no pela razão certa. O bodyboard continua a ser (independentemente da idade) um bando de miúdos que querem fazer uns tubos.
lobby

Em 14 anos de bodyboard não me lembro de uma competição de bodyboard realmente importante (exceptuando um europeu patrocinado pela BZ em ...craqueja) na Ericeira. Sendo a Ericeira a meca por excelência do bodyboard em Portugal é caso para no mínimo desconfiar. Pelo contrário todos os anos não faltam mundiais de surfe, europeus e até festivais de música ligados a esse desporto. Será que não há bodyboarders na Ericeira? O surfe, é límpido, tem ligações institucionais fortíssimas na Ericeira. Sob um manto diáfano de ondas exclusivas do surfe(coxos e ribeira) e figuras locais heroícas(saca) escondem-se interesses financeiros de marcas comerciais fixadas na Ericeira. Todas as verbas destinadas aos desportos de mar na Ericeira são dirigidas ao surfe.
dois mundos duas velocidades

"feijoada portuguesa", "massacre verde-amarelo", "atropelo geral", "farra brasileira"... A imprensa brasileira, sempre deficitária de autoestima, não se conteve na adjectivação do que se passou na Praia grande mas não deixa de ser um feito notável para um país que sempre foi uma potência do bodyboard colocar tantos atletas nas finais. Uma pitada de sorte, ondas à medida, ausências de vulto e muita vontade foram os ingredientes certos para pintar este mundial de verde e amarelo. Este ano até as usuais boas performances dos especialistas europeus destas condições como foram Centeno e Ortiz o ano passado pareceram perder o brilho. Já Hugo Pinheiro encontrava-se lesionado e por isso foi uma carta fora do baralho e Silvano Lourenço, que completa o nosso trio mais competitivo apagou-se nos quartos. Mais a norte Cedric (dufaure) teve que ir aos trials e complicou-se. Toda a gente sabe que a competição no Brasil tem muita força e que nos últimos tempos em Portugal o foco tem sido mais o freesurf e as viagens. No entanto face às performances exibidas no beachbreak da praia grande será questão de perguntar se o resto do mundo está a ficar para trás?
hard economics
Escrevi estas linhas logo a seguir ao Arica challenge, quando Uri Valadão perdeu de primeira:
- Alguém me pode explicar porque é que ninguem patrocina, um patrocinio a sério, um dos seres humanos mais extraordinários num bodyboard nos dias que correm? Tou a falar do uri valadao. Como toda a gente sabe o génio manifesta-se quando se ultrapassam constrangimentos de uma forma aparente simples e natural. Eu por genial entendo a qualidade de destacar-se de todos os demais por uma caracteristica propria e unica. Se o critério for esse ele preenche-o.
Em todos os desportos procuram-se os mais talentosos, pérolas que devidamente salvaguardadas poderão tornar-se num bom activo para quem investe nelas. No futebol chegam-se a fazer contratos milionários com crianças e no surf os empresários procuram garantir uma fidelização á marca. Os items que torneiam um investimento seguro são as maiores margens de progressão, a competitividade e a dicotomia talento/personalidade. Ora empresarialmente falando parece-me obvio que ele preenche todos estes requisitos. Será por ser brasileiro?
Na sua terra natal, nas ondas em que anda regularmente, Uri ja cobriu praticamente todos os aspectos possíveis e transcendeu outros, de como desenhar linhas numa onda. Apostar nele, obriga-lo a andar nas melhores ondas deste planeta com os melhores, puxa-lo para ser ainda melhor, seria ter um atleta que lutaria nos proximos 10 anos pelo titulo mundial.
- Alguém me pode explicar porque é que ninguem patrocina, um patrocinio a sério, um dos seres humanos mais extraordinários num bodyboard nos dias que correm? Tou a falar do uri valadao. Como toda a gente sabe o génio manifesta-se quando se ultrapassam constrangimentos de uma forma aparente simples e natural. Eu por genial entendo a qualidade de destacar-se de todos os demais por uma caracteristica propria e unica. Se o critério for esse ele preenche-o.
Em todos os desportos procuram-se os mais talentosos, pérolas que devidamente salvaguardadas poderão tornar-se num bom activo para quem investe nelas. No futebol chegam-se a fazer contratos milionários com crianças e no surf os empresários procuram garantir uma fidelização á marca. Os items que torneiam um investimento seguro são as maiores margens de progressão, a competitividade e a dicotomia talento/personalidade. Ora empresarialmente falando parece-me obvio que ele preenche todos estes requisitos. Será por ser brasileiro?
Na sua terra natal, nas ondas em que anda regularmente, Uri ja cobriu praticamente todos os aspectos possíveis e transcendeu outros, de como desenhar linhas numa onda. Apostar nele, obriga-lo a andar nas melhores ondas deste planeta com os melhores, puxa-lo para ser ainda melhor, seria ter um atleta que lutaria nos proximos 10 anos pelo titulo mundial.
fotografia
Para quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho do fotógrafo Nuno Lobito, amante da liberdade, pensador livre (talvez por isso faça bodyboard) e destaque na última Vert mag. Nuno, um fotógrafo consagrado, segue o mundo com a sua Leica M6 (a mesma que usava Cartier-Bresson) e é um dos raros personagens com raízes do tamanho do planeta.
ligações (nada) perigosas
De um dizem ser o melhor blogue de surfe deste e do outro lado do oceano. Descobri também que lá escreve um bodyboarder que lê Proust. Fica debaixo de olho. O outro é de uma das pessoas mais francas que terão oportunidade de conhecer, o fotógrafo Pedro Ferreira. Por fim um blogue sempre em cima das últimas.
o fim do ciclo
Acabei agora de lêr a notícia da qualificaçao de Tiago Pires "saca" para a 1a divisao do surfe. Acaba assim uma era de coito interrompido, despromoções à última hora, e lutas titânicas contra o destino. Acaba tambem uma carreira baseada no triste fado e comiseração ao qual toda a gente não podia deixar de se sentir complacente. As derrotas de Tiago Pires, sejamos claros foram sempre maiores do que as vitórias. São poucos os desportistas que conseguem basear uma carreira na derrota e juntar toda uma nação em torno dela, mas a figura do eterno perdedor, e da persistência se forem bem trabalhadas trazem consigo uma certa visão de injustiça, cativam sempre pelo drama. É uma personagem tao importante quanto a do campeão. Ninguém terá duvidas em afirmar que se há pessoa que merece entrar para o wct é ele, pobre homem.
Mas é também o fim de um ciclo, é aos vencedores que se cobram exigências. Agora começará uma nova carreira, a do surfista mais bem pago no nosso país, com condições e apoio de sonho para qualquer desporto. Esperemos que seja longa. Boa sorte "saca".
Mas é também o fim de um ciclo, é aos vencedores que se cobram exigências. Agora começará uma nova carreira, a do surfista mais bem pago no nosso país, com condições e apoio de sonho para qualquer desporto. Esperemos que seja longa. Boa sorte "saca".
discurso directo

vale a pena reproduzir as palavras de Dallas Singer, 2º classificado na etapa do mundial em Sopelana(Espanha) e uma das maiores promessas aussies, sobre este tipo de campeonato que hoje em dia toda a gente despreza: "Fiquei em segundo na etapa do circuito mundial em Espanha hoje!!! Estou imensamente contente com o resultado... Ganhei também um cheque maçiço de estreia ahah. (...)
Vejam também a incrivel area do campeonato - porra!!!!! Os espanhois realmente sabem como montar um campeonato para o cicruíto mundial!!!! (...) Durante os quartos de final a praia estava mais cheia do que Bondi no pico do verão, não estou a brincar!(...) Esta é uma costa incrível com ondas famosas como Mundaka Hossegor e Anglet apenas para mencionar algumas. É também casa das maiores festas que alguma vez vais ver. (...) A região tem uma história e cultura ricas, a sua própria lingua e o melhor bolo que alguma vez vais provar. Vão Basco!! Esqueçam Bali!!! Ponham os pés aqui!!!
in www.4play.com.au
O campeão necessário

Ganhou Ben Player e a honra do circuito mundial está salva. Da confusão que a partir de certo ponto se tornou este campeonato, todos esperavam com mais ou menos ansiedade por um desfecho previsível, que fizesse o sentido neste mundo bodyboard carimbado de figurinhas de caderneta e showbiz. Num ano marcado pela troca de guarda australiana, e sejamos honestos, por mais clones de ryan hardy que sejam produzidos a velha guarda aussie(kingy, lester, virtue, hardy) vai deixar muito mais saudades do que esta nova safra (novy, bunting, robinson, showell). Por outro lado GT saltou do barco, e Uri apesar do talento não tem a força do mega campeão. Quem preencheu o espaço vazio? os europeus como se viu, e isso deixou muita gente com os olhos em bico e dificuldades em pronunciar nomes esquisitos (jugo penhiro?). Desconfio que se Ben ficasse pelo caminho, como ficaram Hubb, Botha, e outros tantos o escandâlo seria tal que mais uma vez se poria em causa a validade de este ser um circuito legítimo. Mas Ben ganhou. Esperemos que Centeno perca um pouco o gás nas etapas do fogo europeu que aí vem.. é que o mundo ainda nao está preparado para um campeão mundial da velha europa.
gostar de surfe
Existe um site que basicamente se dedica a mostrar fotos de raparigas em bikini com uma prancha de surf debaixo do braço. Ora aí está um fetiche a que vou aderir.
falar como um burro australiano

O triste momento da última edição da movement mag, que como todos sabemos agora é distribuída em portugal, foi quando Ben Player se refere aos Portugueses para justificar como completou uma manobra: "agarrei-me (à prancha) como um macaco Português". É certo e sabido a consideração que os Australianos tem pelo bodyboard português, visto que se consideram o produto final da evolução, mas o curioso é o o número de portugueses que se acham australianos (com tendência a subir) e que desprezam os seus próprios conterrâneos. Por cá parece que passou ao lado de toda a gente, ou fingem que passou, o que só dá razão ao Ben quando diz que andamos de 4.
Mas a minha pergunta é: será que o Ben Player sabe o significado (e rsponsabilidade) de ser campeão mundial? É ser o campeão de todos, de todo o jardim zoológico, e representar um desporto ao seu mais alto nível em todas as nações!
Não sabe ele que a revista que fundou é vendida em Portugal e lida por todo o mundo? Não sabe ele que virá competir a um país chamado Portugal? Ou que vende pranchas a portugueses?
A decência e maturidade, são muito mais dificeis de agarrar que uma prancha.
Quem é Mark McCarthy?
É sul-africano, mas podia ser Português, Brasileiro ou Espanhol. Ficou em 2º no Sharkisland contest. Quando se conta com a ajuda pessoal de Mike Stewart tudo pode-se tornar mais fácil. A linguagem, continua ainda a ser a maior barreira cultural do nosso planeta.
A primeira vez
"Aquela era a primeira vez que via o mar a sério. Extasiava-se a ver as ondas avançar até à orla com malévolos clarões e erguer-se mais e mais, reluzentes como se fossem de vidro, tensas como cobras; Abriam as faces e ficavam quietas, sem alento, num único instante, para depois saltar para diante com um rúgido que parecia acompanhado de ecos vagabundos no ar"
_Enrique Villas-Matas
_Enrique Villas-Matas
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